Progresso e gramática.

* Mais uma associação – MUBi, Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta, e mais uma pedra na construção de cidades mais igualitárias e mais acessíveis para tod@s. À semelhança da FPCUB – Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta e da ACA-M – Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados, esta é mais uma associação sediada em Lisboa. O que não lhes tira valor, mas que normalmente significa ações e campanhas regionais e locais centradas em Lisboa, com pretenso caráter nacional por estarem sediadas na capital. Ainda assim, o nascimento desta associação é uma boa notícia.

* Vítor Meirinhos, membro da ACA-M e investigador da Universidade Nova de Lisboa, diz qual a solução para a diminuição dos atropelamentos em meio urbano. Sintético e óbvio:

O cenário é complicado. Mas há medidas a tomar: em primeiro lugar, a temporização dos semáforos devia ser superior, tendo em conta que os idosos e as crianças andam mais devagar e são os mais afectados. Depois, obrigar os veículos a circular a baixa velocidade nas zonas onde há passadeiras.

No Público.

No Jornal de Notícias um especialista belga fala sobre os atravessamentos pedonais na rua de Santa Catarina, no Porto:

O especialista comparou a realidade portuense à da artéria pedonal Skippergata, em Oslo, na Noruega, e defende a adopção do exemplo norueguês (ler caixa). Nos dois locais, os peões são a maioria dos utentes do cruzamento (78% no Porto e 82% em Oslo). Em Santa Catarina, a espera ultrapassa os três minutos. Em Skippergata, quem anda a pé tem de aguardar 25 segundos. Constatou-se que 77% dos peões noruegueses só atravessaram o cruzamento com sinal verde. No Porto, sucede o inverso: 70% cruzam a rua com vermelho. Curioso é que, em Portugal, esse comportamento é proibido, ao contrário do que acontece na Noruega. Certo de que o favorecimento do automóvel é “inaceitável” numa via pedonal, Geert van Waeg crê que a atitude dos peões mudará se os tempos de espera diminuírem.

Tudo isto na semana em que o Público fez manchete com o desrespeito dos tempos de atravessamento dos peões nos semáforos. Espero que não sejam notícias isoladas mas sim algo de revolucionário a acontecer no cérebro dos portugueses.

* Mais uma petição, neste caso para a “Alteração do Código da Estrada reforçando direitos de ciclistas e peões”. Não é que esteja mal esta petição, não é esse o caso. Mas acaba por não concretizar o quer que seja, ao contrário deste projeto-lei do Bloco de Esquerda, apresentado (?) no Parlamento a 4 de Julho de 2008. Não sei o que aconteceu a esta proposta, bem fundamentada e essencial para o estímulo do uso pedonal e ciclável das cidades.

* A blogosfera portuguesa vai crescendo em qualidade e profissionalismo – A Nossa Terrinha e Menos Um Carro são apenas dois exemplos de blogues que pugnam por cidades mais ecológicas e por um ordenamento mais capaz. Bem hajam.

*E, já agora, um tema que já todos trataram – e só não é Título do Ano porque não calhou:

Fernando Ruas quer aumentar limite de velocidade em avenida onde já foi multado

No Público.