Progresso e gramática.

Fiz há uns tempos uma imagenzinha semelhante à de baixo por carolice, para me entreter. Não tinha incluído o metro. Nos últimos dias, no meio de um furacão informático e utilizando três computadores diferentes, consegui produzir estas duas imagens que mostram o estado atual (primeira) e futuro (segunda) da ferrovia no Entre-Vouga-e-Minho. O Porto é e sempre foi o centro da ferrovia nortenha. O que tentei com estas infografias foi, por um lado, uma abstratização e uma simplificação do Ferrovia a Norte, e mais uma forma de visualizar a realidade do transporte ferroviário de passageiros na região.

É assim que eu vejo e interpreto a realidade. O Porto como o centro natural da região, e uma rede de caminhos-de-ferro desajustada, desligada do que realmente interessa. Um sem-fim de ramais a ligar cidades ao Porto e a inexistência de uma rede a articulá-los. Como se pode ver no centro (São Bento, por vontade minha. Para a Cp o centro é Campanhã), apenas por aqui existe uma rede. Há triangulação entre estações e parte delas têm metro e comboio. Isto devia acontecer em vários sítios (Ermesinde, Boavista, Devesas) e não apenas em General Torres, Campanhã e São Bento. Por outro lado o metro do Porto, que inventou linhas compridas demais a partir do centro do Porto (linha da Póvoa, linha da Maia) que, ao contrário das boas práticas de sistemas de metro noutros locais, não acabam em estações ferroviárias. As linhas do metro do Porto são linhas que terminam em si mesmas. Se a região fosse outra, tudo bem. Aqui não. O mesmo para a Linha de Guimarães e o Ramal de Braga.

As três cores representam as três bitolas: o alaranjado a bitola standard (metro do Porto), o vermelho a bitola ibérica (Cp) e o roxo a bitola métrica (Cp, Linhas do Vouga e do Tâmega). Uma alteração a operar no futuro é a migração das linhas de bitola métrica para a bitola ibérica, e algum dia para a bitola standard.

circulos (4)

(aqui grande)

Em relação à publicação anterior sobre o tema fiz duas alterações:

-Introduzi, por sugestão de um leitor, a ligação a de Vizela a Felgueiras. Já a tinha desenhado em mapas anteriores, e no futuro importará para a ligação a concelhos a este.

-O prolongamento a norte de Braga passa a ser Braga – Vila Verde – Ponte da Barca – Arcos de Valdevez, com posterior ligação a Monção e a Salvaterra do Minho. Assim segue-se o desenvolvimento ao longo da orografia e ao longo da nacional 101, à margem da qual se foram desenvolvendo as povoações. A Linha do Lima passa a ser Viana – Ponte de Lima – Ponte da Barca, como inicialmente prevista.

circulos (3)

(aqui grande)

Nota: Não desenhei prolongamentos do metro (excetuando a ligação ISMAI – Trofa, que não devia ser construída ‘à metro’, mas com ferrovia convencional). Fica para outros estudos.

Anteriormente por aqui:

Ferrovia a Norte
Mapa torto
PECs, AVs, SCUTs, NALs
Paradoxo a Alta Velocidade 2


post relacionado

3 COMMENTS
Anónimo
Outubro 14, 2010
ad

Viva

Estes esquemas são uma ideia sua ou há mesmo planos para um prolongamento a norte de Braga que passaria a ser Braga – Vila Verde – Ponte da Barca – Arcos de Valdevez?

Cumprimentos
Edmur Barros

Outubro 14, 2010
ad

Uma das ideias deste blogue, e nomeadamente quando falo de projetos ferroviários, é dar ferramentas aos agentes locais (Câmaras, Associações, Associações de Municípios) para reinvidicarem novas linhas ferroviárias. Será normal para uma Câmara servida pela Linha do Norte ou do Minho pedir obras de modernização da linha; será de todo invulgar a Câmaras como de Ponte da Barca ou de Ponte de Lima reinvidicarem ferrovia. É a minha função (e de outros blogues e agentes) dizer qual o caminho a seguir, dizendo que é com a Linha do Lima que se liga Ponte de Lima à rede, e é com a Linha Braga-Monção que se liga o Alto Minho a tudo o resto.

Obrigado pela visita

J. Pinto
Outubro 17, 2010
ad

Com grande tristeza escrevo que a meritória tónica destes trabalhos em apontar rumos de futuro na mobilidade a Norte, esbarra em várias dificuldades intransponíveis:
-Falta de interesse e/ou meios financeiros das entidades locais na manutenção e desenvolvimento das vias férreas
http://www.tvminho.com/news/hasta%20publica%20travessas,%20carris%20e%20restante%20material%20ferroso%20da%20extinta%20linha%20do%20t%C3%A2mega/

-Falta de interesse do governo central para manter as vias férreas mais afastadas do grande centro (Lx)
http://62.193.249.104/Default.aspx?tabid=210&language=pt-PT&id=2225

-Gestão ruinosa e incompetente das empresas de transporte do estado (vejam défices da CP, REFER, Metros, STCP e CARRIS)

Um caso gritante é a linha de Leixões, e a sua reabertura (?!) sem garantir as ligações ao Metro e a Matosinhos.

Post a comment