Progresso e gramática.

Na Visão:

Na sua primeira intervenção no Parlamento Regional usou, como posteriormente sempre o faria, o castelhano. Xosé Manoel Beiras, líder do Bloco Nacionalista Galego, respondeu-lhe em francês, ‘por ter o mesmo direito de falar numa língua estrangeira’. ‘Case-se e aprenda a falar galego’, diria depois Fraga a Rajoy. Da questão linguística não fez caso, mas contraiu mantrimónio com Elvira Fernández Balboa, Viri, com que tem dois filhos.

É este o idiota que acaba de ser eleito Presidente do Governo do Estado espanhol.

É mais do que acaído recordar um caso recente, o de Roberto Varela, que dá mostra do que o PP é capaz de fazer com a língua, quando se referiu a Sobrado dos Monges como «Desván de los Monjes».

(negrito meu)

No PGL.

A voceira do BNG en Bruxelas, Ana Miranda, apresentou unha iniciativa parlamentaria xunto co eurodeputado portugués Miguel Portas, do Bloco de Esquerda (BE), na que se denuncian os atrancos que pon o Estado español á recepción das televisións portuguesas en Galiza. Ana Miranda critica tamén na súa iniciativa que a Xunta de Galicia carece de vontade política para garantir a liberdade de circulación das emisións televisivas entre o país e Portugal, “imprescindíbel para un mellor coñecemento na nosa sociedade da lingua portuguesa”.

A eurodiputada electa do BNG pon de relevo que a atitude do Goberno español “conculca o Convenio Europeu sobre Televisión Transfronteiriza e a Carta Europea das Linguas Minoritarias que taxativamente prescribe que se debe facilitar a liberdade de circulación das emisións televisivas entre territorios que comparten unha mesma lingua ou que posúen idiomas que pertencen a un tronco común”, o que “obviamente” é o caso do galego e o portugués.

O Goberno español comprometeuse en diversas ocasións co BNG no Congreso dos Deputados a facilitar a recepción do sinal das televisións portuguesas, pero ese compromiso “ficou en nada polo de agora”, reproba Ana Miranda. O BNG leva agora a cuestión ao Parlamento europeu e interésase por saber se a Comisión ten coñecemento desta “vulneración da liberdade de circulación das emisións estabelecida no devandito Convenio Europeo” sobre Televisión Transfronteiriza.

Daqui.

O 40% das maes e pais das grandes cidades da Galiza querem que as suas crianças sejam educadas em galego, mas isto nom estarám mui longe do que vai acontecer. Só 12% das aulas serám na nossa língua.

No PGL.

Imaginemos que um alemám visita o Estado espanhol: começa por dous lugares tam afastados entre si, geográfica e culturalmente, como Vic (Catalunha) e Cádiz. A seguir visita a Galiza, e decide dar um saltinho a Portugal, concretamente a Viana do Castelo, passando por Tui. Será que notou mais diferenças culturais entre Vic e Cádiz do que entre Viana do Castelo e Tui?

Nom. Em Vic, como em Cádiz e Tui, terá comido tortilha, terá bebido cortados, terá ido de marcha, terá comprado recuerdos, terá falado espanhol e terá ouvido as pessoas tratarem-se por tu gritando muito.

Eduardo Maragoto, no Diário Liberdade.

Espanha pode bem ser considerada uma democracia, mas há muito de anti-democrático no que a rege. Na questão linguística é óbvia a falta de democracia. Há uma língua oficial, o castelhano; três línguas co-oficiais com o castelhano em parte das Comunidades Autónomas (‘galego’, catalão e eusquera); e ainda línguas ‘regionais’, com algum reconhecimento local mas nenhum reconhecimento nacional (asturo-leonês, aragonês e ocitano, no norte, e o amazigh e árabe, em Ceuta e Melilla). Aquando da instauração do moderno Estado espanhol, instituiu-se a co-oficialidade das três línguas circunscritas às fronteiras das três Comunidades Autónomas que lhe deram nome. Com algumas exceções. O catalão é a língua co-oficial da Catalunha, das Ilhas Baleares e da Comunidade Valenciana (sob o nome parvo de ‘valenciano’); o eusquera é co-oficial em Euscadi e na porção norte de Navarra.

E é esta a sensibilidade linguística do Governo de Madrid. Os habitantes da Franja (Aragão) e do Carxe (Múrcia), fora das Comunidades catalonófonas mediterrânicas mas falantes de catalão desde há séculos, não têm direitos linguísticos reconhecidos. E apenas uma língua oficial: o castelhano. O mesmo sucede com os falantes de ‘galego’ (português de Espanha) dispersos pelas províncias de Leão, Oviedo, Zamora, Salamanca, Badajoz e Cáceres. Todos partilham a raia galego-portuguesa, e a negação dos seus direitos linguísticos.

As justificações de Madrid são óbvias. Por um lado, a questão contabilística. Se os falantes de uma língua que não o castelhano numa determinada região apresentam uma percentagem mínima da população ou números totais irrisórios (casos do aragonês e do asturiano), independentemente das razões que levaram a tal, não há co-oficialidade para ninguém. Há também a questão geográfica. Depois da separação oficial do ‘galego’ do português (anos oitenta do século vinte), o interesse linguístico de Madrid circunscreveu-se à fronteiras oficiais da Galiza. Qualquer uma das áreas fora da Galiza onde se fala o português de Espanha tem continuidade geográfica quer com a Galiza quer com Portugal, mas situam-se em países / Comunidades Autónomas diferentes, e por isso não há reconhecimento algum. O mesmo para o catalão. Continua a batalha dos conservadores para separar o catalão do valenciano, e os falantes de catalão fora das zonas de oficialidade fodem-se. Direitos linguísticos, nicles.

E tudo isto por causa do Vale de Aran, na Catalunha. Os catalães ganharam nos últimos anos uma imagem pública negativa no que toca à língua. Vou ouvindo estórias de patrões que falavam catalão entre si, de gente comum a soar arrogante na reinvidicação dos seus direitos linguísticos. É verdade, os catalães são por vezes arrogantes. Mas são também falantes de uma língua em risco, com um alto grau de substituição nas camadas mais jovens, cerceada por Espanha e os seus falantes. O que espero é que os meus leitores nunca tomem esta atitude por algo mais que uma luta pela sobrevivência. Contra o castelhano. Os catalães, como acabaram de provar em Aran, são mesmo pelo pluringuismo. Em cada comunidade, a sua língua própria.

A comunidade de falantes do ocitano no Vale de Aran é pequena, preenchendo no entanto uma franja considerável da população. A Generalitat decidiu tornar o ocitano, na sua variante aranesa, a terceira língua oficial do Principado. Sem mais. Para além de se passar a poder “utilizar-se em todas as administraçons e na justiça”, passa também a ser “a «língua preferente» em Arám, no seu sistema educativo e na toponímia oficial.”. O catalão é a língua preferente em toda a Catalunha, mas os catalães, esses ‘arrogantes’, prescindiram dessa regalia onde acharam não ter o direito histórico de o fazer. Um sinal de boa-vontade, mas acima de tudo um sinal de democracia.

[...] desarreigo do seu entorno vivencial e social em Alcorcom, único [...] que tivérom as menores [...] por muito que tenham passado Verões na Galiza (nom apenas com a família materna em Vigo, mas com a paterna em Cedeira), desarreigo que se estende ao seu âmbito escolar, pois as menores estivérom escolarizadas desde há muitos anos no Colegio Amanecer, de Alcorcom, para agora verem-se escolarizadas em centros públicos, em Vigo, com imersom num sistema escolar em língua galega, umha língua distinta à que fôrom escolarizadas até agora, que para lá do âmbito de aquela comunidade autónoma, nom se aprecia que tenha qualquer outra utilidade prática.

No PGL.

* Gosto destas pequenas notícias, desta vontade indizível de muita gente que começa a desabrochar por aí. Em Arenys de Munt, na Catalunha, 96% dos votantes num referendo local declararam-se a favor da independência do Principado. Sem efeito legal, sem grande expressão (69% de abstenção), mas com uma ideia clara: “que a Catalunha seja um Estado soberano, social e democrático integrado na União Europeia”. Não tenho dúvidas que uma Catalunha independente, do Carxe a Perpinyà, seria infinitamente mais democrática que o atual Estado espanhol.

Claro que chegaram os fascistas e tentaram armar confusão. O que se há de fazer.

O Expresso, transcrevendo certamente uma notícia da Lusa, chama a Arenys ‘uma aldeia’. Curiosa esta aldeia de 8000 habitantes, que por acaso é um município metropolitano. Curiosa.

* Quando me vejo preso nas filas de entrada no Porto, em frente ao Norteshopping, penso sempre, á, se eles pusessem mais faixas, se eu fosse um passarinho, se a minha avó tivesse rodas era um camião tir, etc. Agora é óbvio que a absurdidade destes pensamentos não me acompanha durante muito tempo. Se a minha avó tivesse rodas não seria um camião tir – quando muito seria uma bicicleta. Não sou um passarinho, por muito que me custe aceitar isso. E não é por existirem mais faixas que se reduz o trânsito. Quando se aumenta o número de faixas aumenta-se o trânsito de veículos a circular. O que é muito simples de compreender: aumentando o número de faixas, o número de auto-estradas, o números de lugares em parques de estacionamento, aumenta-se a expectativa. A partir de agora, quando alguém pensar em ir para o Porto de carro usando a A28 não hesita tanto. E vai mesmo de carro. Daqui a uns meses entope outra vez. E mesmo que não entupa, o mal está feito – o número de carros a entrar no Porto diariamente vai aumentar.

Claro que os senhores políticos, que de raciocínios não são grandes fãs, pensam ao contrário. E a senhora jornalista, que transcreve o que os políticos lhe dizem, não pensa.

Nova saída da A28 vai reduzir trânsito em 20%

Via permitirá chegar ao Norteshopping sem ir à Rotunda dos Produtos Estrela

Os futuros acessos do IC1/A28 ao concelho de Matosinhos, a construir no âmbito do alargamento da via, vão reduzir o trânsito para a Rotunda AEP em cerca de 20%. A obra começa no início do próximo ano.

(…)

No JN.

* Não só em España se esquecem de certas línguas:

Comunidade húngara da Eslováquia manifesta-se contra a nova Lei de Línguas

A legislaçom que restringe o uso de línguas minoritárias entrou em vigor na terça-feira

Milhares de pessoas mostram sua rejeiçom à Lei de Línguas, que determina que o eslovaco é a única língua permitida em espaços públicos estatais, como hospitais, escolas e escritórios administrativos.

A polémica da Lei de Línguas Estatal da Eslováquia entrou finalmente em vigor apesar dos protestos da comunidade húngara e a deterioraçom das relaçons entre Bratislava e Budapeste. Milhares de húngaros na Eslováquia reunírom-se ontem no estádio de futebol de Dunaszerdahely, umha cidade de maioria húngara, no sul, enquanto alguns deputados se pronunciárom diante da embaixada eslovaca em Bruxelas.

A lei regulamenta o uso e a presença da língua eslovaca em espaços públicos e instituiçons, e os aspectos mais controversos som as obrigaçons de utilizar apenas o eslovaco nos nomes de hospitais, escolas e escritórios do Estado sob ameaça de 5.000 euros de multa aos gestores que nom obedeçam à lei.

(…)

No Portal Galego da Língua.

* A minha Lista de Prémios, Concursos e Bolsas Literários está maior e mais completa.

* Ora aí está mais uma bizarria política, presenteada pelo PP galego:

A Junta elimina o projecto para empregar rótulos comerciais em galego

O galego é um idioma sobreprotegido na Galiza a olhos do PP, por isso, a Junta deita abaixo o projecto de lei sobre comércio do governo do bipartido, anulando assim a obriga de utilizar a língua galega nos painéis dos estabelecimentos comerciais do país.

A iniciativa do governo anterior, que nom chegou a aprovar-se, apostava pola galeguizaçom dos negócios, passando a ser obrigatória a rotulaçom -no mínimo- em galego, sendo possível também a co-rotulaçom noutras línguas.

A Conselharia para a Economia e a Indústria ultima um novo rascunho de lei no que os comerciantes poderám continuar a rotular em castelhano, como vem sendo já tradicional nos últimos 70 anos, mercê a umha castelhanizaçom obrigatória que começou com o apoio das armas.

A decisom do PP foi acolhida e aplaudida com grande alegria polo presidente da Confederaçom galega de Comércio, José Seixas, quem se mostrara crítico com o anterior governo perante a suposta «discriminaçom» lingüística que acompanharia o projecto de lei.

(negrito meu)

Também no PGL.

* España é, de facto, um lugar estraño:

O islandés poderia ser língua oficial da UE com só 300.000 falantes

A língua catalã supera em número de falantes quase à metade dos idiomas oficiais da UE

A Comissão Europeia iniciou os trámites para incorporar Islândia à União Europeia (UE), após que o Parlamento islandês votasse faz um par de semanas a favor da adesão. Em caso que finalmente Islândia acabe incorporando-se à UE, o idioma islandês passaria a ser automaticamente língua oficial.

Hoje por hoje, o catalão, com nove milhões e médio de falantes, supera em número de falantes quase a metade das 23 línguas oficiais da UE. Assim, supera ao maltês (com só 330.000 falantes), ao estónio (1.1 milhões), ao gaélico-irlandês (1.6 milhões), ao letão e ao esloveno (2.2 milhões), ao lituano (4 milhões), ao sueco, ao dinamarquês, ao eslovaco e ao finlandês (6 milhões) e ao búlgaro (9 milhões); mas mesmo assim continua sem ser língua oficial da UE porque não dispõe de um Estado próprio.

Em 2010 a presidência da UE -que é rotativa- passará a mãos do governo espanhol com José Luis Rodríguez Zapatero à frente. O executivo espanhol poder-se-ia estar a propor pedir de novo o uso da língua catalã, a vascã e a galega no Parlamento Europeu.

Faz alguns meses, o presidente do Euro-cámara, Hans Gert Pöttering, já advertiu que pára que o catalão seja oficial no Parlamento Europeu faz falta que o governo espanhol a faça dantes oficial no Parlamento espanhol. O presidente do Parlamento Europeu, Ernest Benach, adiantou, após reunir-se com Pöttering que ‘no futuro imediato’ fará pública uma proposta por normalizar o uso do catalão nas instituições europeias, mas pelo momento não quis revelar nenhum detalhe

No PGL.

* Como se planeia uma Rede de Alta Velocidade baseada em hipóteses não confirmadas