Progresso e gramática.

No JN:

Colhido quando urinava no muro

JN:

A cada trimestre, aumenta o valor dos fundos comunitários destinados às regiões em desenvolvimento mas aplicados em Lisboa. Em Setembro, atingiu os 191 milhões de euros, muito devido a um projecto dos serviços gerais da Universidade de Lisboa.

O investimento envolve a infra-estrutura informática, a gestão documental e a modernização dos serviços administrativos da Universidade de Lisboa. O investimento ronda os três milhões de euros, 1,4 milhões dos quais virão dos fundos comunitários dados pela União Europeia às regiões mais pobres do país, o Norte, Centro e Alentejo, as chamadas regiões de convergência.

Manuela Moura Guedes:

A meter água

O turismo, que devia ser uma das apostas estratégicas do País, é ignorado por causa de uma barragem

Há coisas que nunca mudam. O apego dos Governos às Parcerias Público-Privadas seria enternecedor se não fosse uma das grandes causas da ruína do País. A ligação quase umbilical entre o Estado, empreiteiros, bancos, concessionários e seus advogados pode explicar que ao fim de meio ano de Passos Coelho as PPP continuem a ser negócios ricos e florescentes para os privados e uma desgraça para o Estado. Está tudo na mesma, para pior.

Agora, há o risco de a Unesco retirar a classificação de Património Mundial ao Douro Vinhateiro, se a Barragem do Tua for construída. Podia não ter importância, só baixava um pouco mais o ânimo dos nativos, mas não. O que a Unesco disse, em 2001, é que há uma região tão bonita e fantástica em Portugal que tem de ser usufruída pelo Mundo inteiro. E isso atrai turismo, como tem atraído cada vez mais. Mas subir o Douro de barco e andar na centenária e única Linha do Tua, submersa com a barragem, deixará de ser possível. O turismo, que devia ser uma das apostas estratégicas do País, é ignorado por causa de uma barragem que vai dar apenas 0,67 por cento a mais de energia e que, de custo inicial, é de 300 milhões (num total de 16 mil milhões pagos pelos contribuintes), fora as derrapagens e a mão de Souto Moura para “melhorar” o paredão de mais de 100 metros de altura. Foi este paredão “imenso” que a ministra do Ambiente disse ao Parlamento já estar construído, para justificar a barragem. Mas não está. Confessou depois ao CM que o secretário de Estado Daniel Campelo a informou mal.

Mas, ficou tudo na mesma, pior. Mais de mil sobreiros já foram abatidos dos mais de cinco mil autorizados pela ministra e o argumento mudou. Agora, há um contrato para respeitar que, por acaso, tem sido seguido pela antiga firma de advogados da ministra e uma indemnização de cerca de 100 milhões no caso de quebra de contrato. Então, retire-se o necessário dos 2500 milhões do CIEG (os custos políticos que se pagam com a factura da luz) e use-se como indemnização e isto sem invocar o interesse nacional que serve para alterar tudo o que é contrato laboral! Em vez das barragens, aposta-se na eficiência energética nos edifícios e nos transportes e a ministra do Ambiente, em vez de parecer… é!

No Público:

O Comité do Património Mundial da UNESCO considera que a construção da barragem de Foz Tua tem um “impacto irreversível e ameaça os valores” que estão na base da classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial. Esta é uma das conclusões do relatório da missão consultiva que, a solicitação do Governo português, visitou o local no início de Abril e que aponta ainda para outros impactos negativos e graves do empreendimento. O documento foi produzido pelo Icomos, uma associação de profissionais da conservação do património que é o órgão consultivo daquele comité da UNESCO.

Nos últimos anos registaram-se dois casos em que a Unesco retirou a classificação de Património Mundial: na cidade de Dresden e em Omã.

Miguel:

Estou sete quilos mais magro. Mas pronto, a parte boa disto é que estou mais definido.

No P24:

“Estripador de Lisboa” residia em Matosinhos

Daqui:

Há uma “esmagadora percentagem de convidados com origem geográfica na capital do país”, diz Felisbela Lopes, investigadora dos media, no livro “A TV dos Jornalistas”, publicado este mês. O estudo diz ainda que que a RTP N, actual RTP Informação, é a mais equilibrada na origem dos comentadores.

O estudo, que nesta parte intitula-se “Quando as elites da capital dominam o que se diz sobre o país e o mundo”, numa co-autoria entre a investigadora e Luís Miguel Loureiro, mostra uma distribuição geográfica muito desigual. Entre Setembro de 2010 e Julho de 2011, após analisar 1 673 programas e identificar 2 158 convidados, ficou claro que Lisboa domina: 76,5% dos comentadores são da capital. No lado oposto está o Algarve, que apenas teve cinco comentadores.

No Público:

CP admite acabar com comboio histórico no Douro, se não encontrar parceiros

No Verão passado o resultado de exploração deste comboio a vapor, que durante a época alta faz viagens entre a Régua e o Pinhão, foi de 60 mil euros negativos. Um resultado bastante melhor do que o de 2010, em que o prejuízo foi de 110 mil euros. A CP diz que tal se deveu a um grande esforço para reduzir custos “sem prejudicar a qualidade e atractividade do produto”. Este ano o comboio histórico teve custos de 150 mil euros e receitas de 90 mil euros.

Este ano viajaram no comboio histórico 2270 pessoas, o que representa uma média de 206 passageiros por comboio realizado (a capacidade total de é de 250). Uma taxa de ocupação de 82 por cento que, curiosamente, é superior à da média do serviço regional da empresa.

Assunção Cristas:

A ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território avançou que uma das ideias é incentivar a partilha do automóvel, por ser uma aposta mais barata e fácil de implementar.

A introdução de portagens apesar de estar na mira da ministra, não deverá ser, pelo menos para já, uma prioridade. “É uma questão que está no nosso menu, embora se compararmos com estratégias como o car pooling me pareça mais difícil de implementar”, explicou a ministra. “Numa primeira fase em que o país tem poucos recursos, vamos procurar avançar com soluções mais baratas”, avançou.

O governo pretende ainda reorientar a política energética nacional, que até agora privilegiava uma forte expansão nas energias renováveis.

A ministra clarificou ao jornal que não quer mais barragens, uma das apostas do antigo primeiro-ministro José Sócrates. “O nosso maior desafio não está em acrescentar fontes de energia, está em reduzir os consumos e induzir comportamentos eficientes.”

(negrito meu)

No Faro de Vigo, via CXXI:

El interés en mejorar el servicio ferroviario con Portugal se plasmó en el pleno de Tui. Por unanimidad de toda la corporación se aprobó una moción del BNG en la que pide una reunión urgente con Renfe para pedir en la estación de Tui (con tres turnos de servicio) la mejora de horarios y mayor frecuencia de trenes, especialmente en horario de mañana. Solicita que se implante un servicio vertebrador que permita la comunicación directa desde Oporto (Portugal) hasta A Coruña, además de que se realicen las gestiones oportunas para mejorar el servicio.

Laureano Alonso, portavoz del BNG realizó la exposición, interviniendo finalmente el alcalde Moisés Rodríguez (PP) explicando que “es lógico que apoyemos estas peticiones, pues yo como alcalde de Tui y el presidente de la Cámara Municipal de Valença, Jorge Mendes, defendemos la comunicación ferroviaria entre Oporto y Vigo. Conseguimos que no se suprimiese la línea, pero ha de mejorar para que sea rentable”. Anunció que ayer tenía prevista una reunión con Comboios de Portugal para tratar esta reivindicación.

Na Visão:

Na sua primeira intervenção no Parlamento Regional usou, como posteriormente sempre o faria, o castelhano. Xosé Manoel Beiras, líder do Bloco Nacionalista Galego, respondeu-lhe em francês, ‘por ter o mesmo direito de falar numa língua estrangeira’. ‘Case-se e aprenda a falar galego’, diria depois Fraga a Rajoy. Da questão linguística não fez caso, mas contraiu mantrimónio com Elvira Fernández Balboa, Viri, com que tem dois filhos.

É este o idiota que acaba de ser eleito Presidente do Governo do Estado espanhol.

João Joanaz de Melo, sobre o Programa Nacional de Barragens:

Argumento ridículo 1 – “O investimento é privado.” O investimento inicial nas nove grandes barragens apro­vadas pelo Governo ascende a 3600 M€, o que, somado aos custos financeiros e ao lucro das empresas de elec­tricidade, gerará um encargo global estimado em 16.000 M€ ao longo de 75 anos – que obviamente será pago na totalidade pelos cidadãos-consumidores-contribuintes. Parte deste custo será reflectido na factura da electricida­de, e parte nos impostos, para suportar o défice tarifário e a “garantia de potência” estabelecida na Portaria n.° 765/2010. O que importa é que, entre tarifa e impostos, as novas barragens implicarão um aumento superior a 10% no custo da electricidade.

Argumento ridículo 2 – “Independência energética e alterações climáticas.” As nove barragens novas, que iriam espatifar outros tantos rios, produziriam apenas 1,7 TWh/ ano de electricidade, ou seja, 0,5% da energia primária do país ou 3% da procura de electricidade; isto para poupar apenas 0,7% das emissões nacionais de gases de efeito de estufa e 0,8% das importações de combustíveis fósseis. Se, em vez de barragens, investirmos o mesmo dinheiro em medidas de eficiência energética, conseguiremos um efeito cerca de 10 (dez) vezes maior na poupança de emissões e importações, com valor acrescentado para as famílias e as empresas, e efeitos ambientais positivos.

Argumento ridículo 3 – “Armazenar energia.” Argu­menta-se que o esquema da bombagem hidroeléctrica, usando energia barata produzida à noite (eólica e não só) permite armazenar energia; é meia verdade. A ou­tra metade da verdade é que, segundo o PNBEPH, Por­tugal precisaria no futuro de 2000 MW de bombagem hidroeléctrica; ora, entre as centrais já operacionais e em construção, só em barragens preexistentes, já temos disponíveis 2510 MW de potência de bombagem – ou seja, não precisamos de nenhuma barragem nova!

Argumento ridículo 4 – “Energia renovável.” As gran­des barragens estão entre os modos de produção de ener­gia mais agressivos, porque destroem irreversivelmente os solos agrícolas, os ecossistemas, as paisagens natu­rais e humanizadas, o património cultural. O paradigma moderno não é o “renovável”, mas sim o “sustentável” – social, ecológico, económico -, que as novas grandes barragens não respeitam de todo.

Argumento ridículo 5 – “Já pagámos as concessões.” As concessões pagas pelas empresas de electricidade ao Estado serão, em última análise, suportadas pelos consu­midores; ou, se o Estado devolver essas verbas, serão su­portadas pelos contribuintes, o que vai a dar ao mesmo.Para além de uma ou outra gaffe, o silêncio do actu­al Governo neste assunto tem sido ensurdecedor. Não se trata de mera ignorância, porque já foi informado. Será medo de desvalorizar as acções da EDP até à privatização? Ou simples cobardia política para afrontar o lobby do betão e electrão? Ou haverá outras razões ainda menos respeitáveis?Muito se tem falado de outras obras faraónicas, como o aeroporto de Lisboa, as auto-estradas ou os estádios. Está na hora de o programa nacional de barragens ocu­par o lugar que lhe cabe no rol das fraudes cometidas sobre os cidadãos portugueses em nome do “interesse público”, (www.geota.pt)

Eusébio, na Única:

Para tirar a carta, tive de pedir autorização à minha mãe. “Vai tirar a carta poquê? Não há aí machimbombo?”

Santa mãe.

No MCLT:

UNESCO faz recomendação ao Governo sobre impactos da barragem do Tua

De acordo com a dirigente que tem protagonizado a oposição à construção da barragem, “a UNESCO não tem poder de impor ao Estado português, apenas de fazer recomendações”, mas em última instância pode avançar para a “desclassificação, se concluir que o objecto da classificação foi desvirtuado”.

No Porto24:

Principal acusado no processo “Guns N’ Roses” opta pelo silêncio

Eu cantaria o Sweet Child O’Mine.

No JN. Penso que a acumulação é ilegal:

Fátima Felgueiras quer acumular Câmara e Adega

No Público:

Caldas da Rainha propõe Coimbra como destino da Linha do Oeste

O autarca argumentou que os prejuízos do troço norte deste eixo ferroviário se devem sobretudo a má gestão da CP e que é possível, mesmo com poucos recursos, fazer melhor, bastando para tal alterar os horários e apostar nas ligações entre o Oeste e Coimbra (onde há ligação à Linha do Norte e à Beira Alta), em vez de as automotoras terem como destino final a Figueira da Foz.

Segundo o PÚBLICO apurou, esse estudo vai tentar provar que foi um erro a CP ter partido ao meio a exploração da Linha do Oeste – onde os passageiros têm de mudar de comboio sem qualquer explicação plausível – e que esta deve rebater sobre Coimbra, funcionando como uma grande variante à Linha do Norte.

Também na mesma página, sobre a Linha da Beira Baixa:

Desde o início do mês que, em vez do clássico material Intercidades, composto por locomotiva a rebocar carruagens, as ligações entre a Cova da Beira e Lisboa são feitas com automotoras UTE (Unidades Triplas Eléctricas), que datam dos anos de 1970 e que a CP modernizou e dotou de assentos mais confortáveis.

Estas alterações foram feitas pouco tempo depois de a Linha da Beira Baixa ter ficado electrificada até à Covilhã, o que potenciava uma diminuição do tempo de percurso. Só que, em vez de poderem andar a 160 km/h, como os Intercidades, as “novas” automotoras não passam dos 120 km/h.

No Porto24:

Governo quer candidatar ligação Porto-Vigo ao próximo QREN

O secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, considerou esta segunda-feira a ligação ferroviária Porto-Vigo “estruturante” e disse desejar que no âmbito do próximo quadro comunitário de apoio seja possível integrar esta linha na agenda ibérica.

“A ligação Porto-Vigo é estruturante”, disse Sérgio Monteiro, acrescentando que é preciso “voltar a colocá-la no centro da discussão entre os 2 países [Portugal-Espanha]“.

Falando no âmbito de um colóquio sobre mobilidade e transportes, que decorreu esta segunda-feira de manhã em Gaia, o secretário de Estado adiantou que quando o Governo se reuniu com o seu homólogo espanhol percebeu que este “não considerava fundamental” esta ligação.

O erro terá sido, digo eu, ter falado com o homólogo espanhol, e não com o homólogo galego.

“Mas espero que no próximo quadro comunitário de apoio – 2014/2020 – tenhamos condições de colocar a linha Porto-Vigo” na agenda, frisou.

O governante voltou a defender a utilização de parte do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) para o sector dos transportes, afirmando que esta será uma forma do Governo de poder avançar com a expansão das redes do metro do Porto e Lisboa.

O governante reafirmou que só “retirando gordura ao sistema e não chamando os impostos de todos a servir privilégios só de alguns é que será possível pedir dinheiro ao Estado para investimentos que geram valor, como a expansão do metro”.

Pronto. Tinha de estalar o verniz. Os meus impostos continuam a sustentar grande parte do investimento rodoviário do país, mas quando se fala de transportes públicos (que até agora representaram uma parte mínima do orçamento do país), parece que não há autoestradas em Portugal.

Moro na Póvoa, arredores do Porto. Utilizo, sempre que posso, os transportes públicos. Esta é cada vez menos uma opção económica (com as subidas dos preços dos bilhetes), mas cada vez mais uma opção ecológica e social. Social porque, assim, o meu carro não polui os pulmões dos tripeiros, e também porque, assim, sem o meu carro nas ruas do Porto sobra mais espaço para quem vive e trabalha no Porto e tenha mesmo que usar o carro o possa fazer mais facilmente.

Não tolero é que chamem ‘privilegiado’, como acabou de me chamar o Secretário de Estado. Todos os portugueses deviam ter acesso a redes de transportes públicos qualificados e sustentáveis, e não esta carrodependência da treta.

Tiago Manuel Almeida Rodrigues:

Posto isto, depois de mais de 40 anos de forte expansão ferroviária, o mapa ferroviário português ficou completo em 1944 com 3772.6 quilómetros. No entanto, com os encerramentos anteriores e agora anunciados, Portugal perde um total de 1583.2 quilómetros de linha de passageiros sendo que, neste momento, Portugal é o país que nos últimos 20 anos mais linhas encerrou na Europa. Desde há 20 anos este perdeu 44% de passageiros, o que equivale a 100 milhões de passageiros.

No JN:

Antigo ferroviário oferece-se para recolocar os carris na Linha do Corgo

Aos 82 anos, o antigo ferroviário José Pinto Mourinha quer ir ajudar, e de graça, a recolocar os carris da Linha do Corgo só para ver passar de novo o comboio entre Régua e Vila Real.