Progresso e gramática.

Não compreendo a atitude de muitos portugueses de medo a perder o seu domínio sobre a língua. Lembro uma discussão sobre o Acordo Ortográfico que vi na RTP entre o professor Carlos Reis e o professor Vasco Graça Moura. “Mutatis mutandis” parecia uma discussão entre um isolacionista e um reintegracionista.

Maria Dovigo

A verdade menos importante é a ortográfica.

Zuenir Ventura, na Visão.

“O acordo remete muitas vezes para uma tradição, mas em lugar nenhum define qual é essa tradição. Por isso optámos por regularizar bastante a ortografia”. Em muitos casos isto significou tirar os hífens (de “cor-de-rosa”, por exemplo, que o acordo admitia com hífens referindo a “tradição”, ao mesmo tempo que deixava sem hífen “cor de vinho”). Quando a referência é a pronúncia optou-se por seguir a da região de Lisboa.

No Público.

Miguel Esteves Cardoso não estará esquecido — decerto que é somente por imperativos humorísticos que o omite — de que escreve, e escrevemos, segundo as regras de um acordo ortográfico, tão obrigatório como não deseja que este agora seja mas é (ou irá ser, se entrar em vigor). Como já nascemos em plena vigência do Acordo Ortográfico de 1945, tendemos a esquecê-lo. Se o acordo entrar em vigor em 2012, em 2022 já ninguém apelará à desobediência civil. Mesmo a brincar.

Helder Guégués, no Assim Mesmo.

* Fotos novas no flickr. Avulsas e sem relação entre si, como deve ser.

* O Algarve quer ligar-se à Andaluzia por comboio, o que faz todo o sentido. Não explicam é quem pagará a linha – nos 45 qms entre Vila Real de Santo António e Huelva esta não existe.

* A Metro do Porto prepara-se para, a partir de segunda, construir o nó rodoviário mais maluco da península e arredores. Em Vila Nova de Gaia, na atual rotunda de Santo Ovidio. Como numa sandes de vários andares, terá carros/metro/carros. Loucura total.

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Um nadinha de carros a mais, talvez?

* Continuando por Gaia, Luís Filipe Menezes sugere uma ‘rede de elétricos rápidos’ no concelho. Se Gaia fosse uma cidade isolada e não uma parte de uma cidade maior (Porto, ou Grande Porto) isto teria algum cabimento. Assim, é apenas mais uma boutade, infelizmente normal em LFM. O Grande Porto tem de abandonar este jogo de capelinhas. Talvez abandonando as birras e deixando a Autoridade Metropolitana de Transportes iniciar os seus trabalhos?

* Descobri aqui uma pequena resenha dos gastos em transportes públicos desde 2005. Leio e percebo que a CP, de tanto mirrar, ainda morre de subnutrição.

* O Acordo Ortográfico avança seguro. A 21 de Outubro foi lançado o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Porto Editora. Inclui 800 palavras galegas (não utilizadas em Portugal e no Brasil), e será complementado por vocabulários equivalentes a lançar brevemente pela Academia das Ciências de Lisboa e pela Academia Brasileira de Letras.

* Alguns avanços na discussão da erradicação da natureza por parte dos seres humanos na face ocidental da Península Ibérica do desenvolvimento equilibrado do país. Primeiro o Shapes of Portugal, que mostra de forma gráfica a distribuição da população pelo território do país e as suas divisões administrativas, das quais destaco as ‘Discrepâncias (Lisboa e Porto)‘. A seguir estes ‘Cartogramas de População‘, bichos feios que importa dissecar.

prt