Progresso e gramática.

Na Visão:

Na sua primeira intervenção no Parlamento Regional usou, como posteriormente sempre o faria, o castelhano. Xosé Manoel Beiras, líder do Bloco Nacionalista Galego, respondeu-lhe em francês, ‘por ter o mesmo direito de falar numa língua estrangeira’. ‘Case-se e aprenda a falar galego’, diria depois Fraga a Rajoy. Da questão linguística não fez caso, mas contraiu mantrimónio com Elvira Fernández Balboa, Viri, com que tem dois filhos.

É este o idiota que acaba de ser eleito Presidente do Governo do Estado espanhol.

No Diário Liberdade.

O primeiro-ministro moçambicano, Aires Ali, defende a “igualdade de estatuto” entre a língua portuguesa e as línguas locais dos países falantes do português, salientando a importância da diversidade linguística na transmissão do conhecimento e da cultura.

Por seu turno, o académico Lourenço do Rosário considerou acertada a atribuição do estatuto de língua oficial ao português, logo após a independência, em 1975, mas declarou que já é tempo de o país valorizar as línguas nacionais. Uma vez que diversos estudos apontam dificuldades que a maioria das crianças moçambicanas tem no ensino formal, por terem de aprender em português e não na sua língua materna, é na óptica deste académico momento de “dar um lugar de destaque às línguas nacionais”.

Valentim Fagim:

Entre os dias 4 e 9 de julho, a Agal, a associaçom que presido, organizou o éMundial. Fôrom mesas redondas, música, projeçons, dança, conta-contos, exposiçons… eventos de diferente natureza com umha finalidade central: mostrar que a nossa língua é Mundial.

Por que organizamos o éMundial? Porque os galegos e as galegas fomos e somos educados na crença de que a língua que falo no meu dia a dia nom é a mesma língua que a da amiga Jeanne, da Bahia, ou a da Aline, de Luanda. O que nunca nos explicárom é que ganhamos com esta perspetiva.

O guiom que escrevem para a nossa língua é que nom sai dos limites do estado espanhol, onde está enclaustrada. Fala-se no ocidente das Astúrias ou de Samora, mesmo nalguns lugares da Extremadura mas nom se fala em Chaves ou em Valença, ou no Brasil ou em Angola. Mais umha vez pergunto-me: e que ganhamos nós com isso?

É o mesmo guiom que nos diz que nom serve para todas as cousas, para ler um autor estrangeiro, para ver filmes legendados, para usar o computador ou navegar na rede… É o guiom que nos apresenta a nossa língua como um problema e umha incomodidade quando realmente é umha riqueza e umha oportunidade. Ser galego, ser galega, na verdade, é espetacular. Ser da Galiza éMundial.

É mais do que acaído recordar um caso recente, o de Roberto Varela, que dá mostra do que o PP é capaz de fazer com a língua, quando se referiu a Sobrado dos Monges como «Desván de los Monjes».

(negrito meu)

No PGL.

A voceira do BNG en Bruxelas, Ana Miranda, apresentou unha iniciativa parlamentaria xunto co eurodeputado portugués Miguel Portas, do Bloco de Esquerda (BE), na que se denuncian os atrancos que pon o Estado español á recepción das televisións portuguesas en Galiza. Ana Miranda critica tamén na súa iniciativa que a Xunta de Galicia carece de vontade política para garantir a liberdade de circulación das emisións televisivas entre o país e Portugal, “imprescindíbel para un mellor coñecemento na nosa sociedade da lingua portuguesa”.

A eurodiputada electa do BNG pon de relevo que a atitude do Goberno español “conculca o Convenio Europeu sobre Televisión Transfronteiriza e a Carta Europea das Linguas Minoritarias que taxativamente prescribe que se debe facilitar a liberdade de circulación das emisións televisivas entre territorios que comparten unha mesma lingua ou que posúen idiomas que pertencen a un tronco común”, o que “obviamente” é o caso do galego e o portugués.

O Goberno español comprometeuse en diversas ocasións co BNG no Congreso dos Deputados a facilitar a recepción do sinal das televisións portuguesas, pero ese compromiso “ficou en nada polo de agora”, reproba Ana Miranda. O BNG leva agora a cuestión ao Parlamento europeu e interésase por saber se a Comisión ten coñecemento desta “vulneración da liberdade de circulación das emisións estabelecida no devandito Convenio Europeo” sobre Televisión Transfronteiriza.

Daqui.

Alva tem 14 anos e estuda numha escola secundária de Caminha, depois de ter freqüentado o infantário e a educaçom primária de Valença, onde ainda se encontra o André, de 12 anos. Antes de ir para Caminha tivo oportunidade de começar o ensino secundário em Tui, onde mora ela e o seu pai, mas preferiu continuar em Portugal.

Alonso e Sílvia decidírom, há já 15 anos, que queriam dar-lhes umha educaçom em galego, mas as dificuldades eram tantas numha vila como Tui que nom o pensárom muito mais e decidírom inscrever a Alva, depois o André, numa creche (infantário de 0 a 3 anos) valenciana. “Na decisom pesou um convencimento claro de que queríamos educar os nossos filhos em galego e de que manejassem com fluência a versom internacional da nossa língua”

Chamam-se Nuno e Joana, vivem em Tominho e vam à escola a Valença. O Salva destaca que ainda nom conseguem distinguir o galego daqui e o dali. Com 6 anos, o Nuno, “quando lhe perguntam se há mais galegos na escola, responde: Nom, na minha som todo galegos”.

Reportagem do Eduardo Maragoto, no PGL.

Não compreendo a atitude de muitos portugueses de medo a perder o seu domínio sobre a língua. Lembro uma discussão sobre o Acordo Ortográfico que vi na RTP entre o professor Carlos Reis e o professor Vasco Graça Moura. “Mutatis mutandis” parecia uma discussão entre um isolacionista e um reintegracionista.

Maria Dovigo

O 40% das maes e pais das grandes cidades da Galiza querem que as suas crianças sejam educadas em galego, mas isto nom estarám mui longe do que vai acontecer. Só 12% das aulas serám na nossa língua.

No PGL.

Para adaptar a nossa literatura aos leitores portugueses temos que admitir a sua ortografia, quer dizer, a hoje válida em Portugal, somente com aquelas modificações (bem pequenas por certo!) que exigem as diferenças da língua. Este caminho já foi seguido polos flamigantes na Bélgica, que houvérom de tomar a ortografia holandesa, o que lhes aumentou de maneira considerável os leitores. Fagamo-lo, pois!

Joám Vicente Biqueira (via)

Como leitor assíduo do Público desde há alguns anos, assisti relutantemente à queda da qualidade ortográfica do jornal. Isto verifica-se em títulos, subtítulos e legendas, mas sobretudo no corpo das notícias. A utilização correta da toponímia é uma das bases da credibilidade jornalística, e se quando os jornalistas do Público referem localidades portuguesas os enganos são raros (apesar do recorrente erro de grafar a Póvoa como sendo do Varzim), quando a notícia versa localidades no exterior do país é necessário, para além de acerto, critério. Paris não tem alteração de grafia na maior parte das línguas europeias; já New York é normalmente apresentada como Nova Iorque, com algum consenso. Isto acontece em cidades (ou países) que apresentam a sua grafia original em alfabeto latino; quando estas se grafam noutros alfabetos (cirílico, canji), o critério é mais nebuloso. Rossíya poderá ser traduzida para Rússia, mas será Japão o país Nihon Koku? Japão é a forma utilizada desde há séculos na língua portuguesa, mas é fácil comprovar a total dissemelhança em relação ao nome original do país.

Na totalidade da imprensa escrita em Portugal, nota-se a vontade dos jornalistas em restringir o uso de caracteres “estrangeiros” nos textos (começa a ser vulgar Quioto e Osaca, ao invés de Kyoto e Osaka). De volta à Península, o “Livro de Estilo do Público” explica que Valhadolid é mais apropriado que Valladolid – sendo o português e o castelhano as duas línguas romances mais próximas, e sendo a fonia do ll idêntica à do lh, preferiram a grafia portuguesa. Neste caso trata-se de um topónimo castelhano, sem lugar a grandes equívocos.

Quando se fala da Galiza, o equívoco é recorrente. Ao contrário de Comunidades Autónomas do Estado espanhol como a Catalunha ou Euscadi, na Galiza apenas a forma galega é válida, e nunca surgem casos de dupla sinalização como Lleida/Lérida ou Donostia/San Sebastián. Os critérios que guiaram a galeguização da toponímia, iniciada em 1983, seguiram os ditames da Real Academia Galega. São uma aproximação ao nome original dos lugares, seguindo a grafia castelhana, o que constituiu uma grande evolução em relação ao que sucedia anteriormente, em que se reconhecia o nome castelhanizado como oficial (La Coruña, La Guardia, Tuy).

As diferenças linguísticas entre os dois lados da raia são consideradas insuficientes pela grande maioria dos especialistas para decretar que se falam aqui duas línguas diferentes. Entendem esses linguistas que “galego”, “português” e “brasileiro” não são mais que diferentes nomes para uma mesma família linguística. Independentemente de se reconhecer ou não a unidade linguística, tem de se reconhecer que as afinidades linguísticas existem e se estendem ao nome dos lugares. Quando muita desta toponímia nasceu, não existia qualquer diferença linguística reconhecida entre os dois lados da fronteira (em certas alturas, nem existia sequer fronteira), não subsistindo razões objectivas para achar que Vilarinho se deva grafar Vilariño apenas porque se situa fora do território nacional.

Nos jornais portugueses, Público incluído, sucedem tropelias linguísticas difíceis de explicar. Quando se referem à cidade do norte da Galiza, esta pode ser grafada: com a forma portuguesa do topónimo, Corunha; com o meio-termo, A Corunha; com a forma galeguizada, A Coruña; e, por vezes, com a ilegal forma castelhana, La Coruña. Verifica-se, no entanto, que a população do Norte de Portugal mantém uma relação próxima com essa cidade, e a forma portuguesa (Corunha) é, felizmente, a mais utilizada. Tornando-se claro com este exemplo que o nh tem validade na referência à toponímia galega, é difícil perceber como ainda surge Salvaterra de Miño em vez de Salvaterra de(o) Minho ou O Porriño em lugar de Porrinho (os artigos, assim como em Portugal, não deveriam fazer parte da toponímia. essa ideia – errada – deu origem a abortos linguísticos como Oporto). E assumindo Valhadolid como a forma correcta, não se entende como se pode grafar como O Carballiño o concelho de Carbalhinho (ou mesmo Carvalhinho). Ou que Tui surja ocasionalmente como Tuy, forma castelhanizada do topónimo, desaparecida entretanto.

Há que entender, por último, que o galego se encontra ainda em fase de normalização, e que existem topónimos à procura da forma mais “galega” (como Belen, que recentemente se tornou Belem, ou Mera de Abaixo e Mera de Arriba, transformadas em Mera de Baixo e Mera de Riba). O que não tem sentido é que nós, deste lado da fronteira, lhes compliquemos ainda mais a tarefa.

(escrito a pensar numa publicação no jornal Público, que não chegou a acontecer)

Ola antes de nada e grazas por utilizalo servizo de mensaxería web.

Con respecto a súa solicitude, informarlle que dende o departamento web estaríamos encantados de activar o idioma galego, pero agora mesmo por razóns económicas e humanas non poderá habilitarse dita opción.

Para unha páxina dinamica, na que cambian contidos practicamente a diario habilitar dous idiomas non é tan sinxelo como pode parecer. Un saúdo.

No PGL.

Espanha pode bem ser considerada uma democracia, mas há muito de anti-democrático no que a rege. Na questão linguística é óbvia a falta de democracia. Há uma língua oficial, o castelhano; três línguas co-oficiais com o castelhano em parte das Comunidades Autónomas (‘galego’, catalão e eusquera); e ainda línguas ‘regionais’, com algum reconhecimento local mas nenhum reconhecimento nacional (asturo-leonês, aragonês e ocitano, no norte, e o amazigh e árabe, em Ceuta e Melilla). Aquando da instauração do moderno Estado espanhol, instituiu-se a co-oficialidade das três línguas circunscritas às fronteiras das três Comunidades Autónomas que lhe deram nome. Com algumas exceções. O catalão é a língua co-oficial da Catalunha, das Ilhas Baleares e da Comunidade Valenciana (sob o nome parvo de ‘valenciano’); o eusquera é co-oficial em Euscadi e na porção norte de Navarra.

E é esta a sensibilidade linguística do Governo de Madrid. Os habitantes da Franja (Aragão) e do Carxe (Múrcia), fora das Comunidades catalonófonas mediterrânicas mas falantes de catalão desde há séculos, não têm direitos linguísticos reconhecidos. E apenas uma língua oficial: o castelhano. O mesmo sucede com os falantes de ‘galego’ (português de Espanha) dispersos pelas províncias de Leão, Oviedo, Zamora, Salamanca, Badajoz e Cáceres. Todos partilham a raia galego-portuguesa, e a negação dos seus direitos linguísticos.

As justificações de Madrid são óbvias. Por um lado, a questão contabilística. Se os falantes de uma língua que não o castelhano numa determinada região apresentam uma percentagem mínima da população ou números totais irrisórios (casos do aragonês e do asturiano), independentemente das razões que levaram a tal, não há co-oficialidade para ninguém. Há também a questão geográfica. Depois da separação oficial do ‘galego’ do português (anos oitenta do século vinte), o interesse linguístico de Madrid circunscreveu-se à fronteiras oficiais da Galiza. Qualquer uma das áreas fora da Galiza onde se fala o português de Espanha tem continuidade geográfica quer com a Galiza quer com Portugal, mas situam-se em países / Comunidades Autónomas diferentes, e por isso não há reconhecimento algum. O mesmo para o catalão. Continua a batalha dos conservadores para separar o catalão do valenciano, e os falantes de catalão fora das zonas de oficialidade fodem-se. Direitos linguísticos, nicles.

E tudo isto por causa do Vale de Aran, na Catalunha. Os catalães ganharam nos últimos anos uma imagem pública negativa no que toca à língua. Vou ouvindo estórias de patrões que falavam catalão entre si, de gente comum a soar arrogante na reinvidicação dos seus direitos linguísticos. É verdade, os catalães são por vezes arrogantes. Mas são também falantes de uma língua em risco, com um alto grau de substituição nas camadas mais jovens, cerceada por Espanha e os seus falantes. O que espero é que os meus leitores nunca tomem esta atitude por algo mais que uma luta pela sobrevivência. Contra o castelhano. Os catalães, como acabaram de provar em Aran, são mesmo pelo pluringuismo. Em cada comunidade, a sua língua própria.

A comunidade de falantes do ocitano no Vale de Aran é pequena, preenchendo no entanto uma franja considerável da população. A Generalitat decidiu tornar o ocitano, na sua variante aranesa, a terceira língua oficial do Principado. Sem mais. Para além de se passar a poder “utilizar-se em todas as administraçons e na justiça”, passa também a ser “a «língua preferente» em Arám, no seu sistema educativo e na toponímia oficial.”. O catalão é a língua preferente em toda a Catalunha, mas os catalães, esses ‘arrogantes’, prescindiram dessa regalia onde acharam não ter o direito histórico de o fazer. Um sinal de boa-vontade, mas acima de tudo um sinal de democracia.

Falou-se também da situação sócio-linguística de Cerzeda, um pequeno município na comarca de Ordes de 5.570 habitantes galegofalantes na grandíssima maioria (a percentagem de galegofalantes é 99,47%, segundo dados de 2001 publicados em 2004 que tiramos da Wikipédia). Emi, uma das alunas, comentou a surpresa que lhe produz como em Cerzeda, falando todo o mundo galego, a gente insiste pola rua em falar castelhano à sua meninha.

Crónica do curso expresso de reintegracionismo em Cerzeda, no PGL.

A verdade menos importante é a ortográfica.

Zuenir Ventura, na Visão.

entón o día sorrí, e volto á casa cargada de enerxía e no meu interior unha voz tenta convencerme de que a próxima vez que o mire lle pida pra casar. por el, convertiríame ao reintegracionismo e ao que fixese falta

Oko

Noutro documento recebido na caixa dos co-es do PGL, o BNG explica que está a haver umha reiterada recorrência por parte dos espaços informativos da Televisom da Galiza e da Rádio Galega a pôr em andamento «um curioso método de traduçom quando som entrevistados portugueses ou portuguesas: Oculta-se a originalidade da voz em português, substituindo-a por outra voz nesse ‘galego neutro’ instituído pola TVG, cumha tonicidade e prosódia bem próximas do espanhol». Porém quando, por exemplo, um jogador brasileiro ou português se expressa em espanhol, a originalidade na tonalidade é respeitada. Nesta linha, o BNG destaca: «Semelha que é exclusivamente a fala e o sotaque português o que cumpre tapar e ocultar»

Declaração do BNG, no PGL.

Tem um ar franzino, cabelos e barba alourados e olhos claros. Herdou o sobrenome de um avô da “Galicia” (como diz, sem reparar que pronuncia o nome da região em galego), o que lhe confere um certo ar internacional, mas é português, ninguém faça confusão. “O meu avô era espanhol da Galicia, conheceu a minha avó e casaram. Mas a partir dessa geração somos todos cá do Porto.”

(reportagem na Pública sobre Ricardo Andrez, estilista portuense)

Adoro quando alguém se orgulha do seu apelido ‘espanhol’ oriundo da Galiza. Enquanto que por lá há González a migrarem os seus nomes para Gonçalves (ou para um intermédio Gonçales), há portugueses que mostram com brio o seu apelido galego-português castelhanizado.

Continuando pelo artigo, ‘Galicia’ não é “o nome da região em galego” mas sim o nome em castelhano. No ‘galego oficial’, regido pela Real Academia Galega, ‘Galiza’ não existe, assim como não existe ‘passeio’ nem ‘aldeia’. Quando uma palavra claramente galego-portuguesa não existe na norma oficial, ela é substituída por um neologismo ou por um castelhanismo. Como é o caso de ‘Galicia’.

Aqui outro jornalista cometia o mesmo erro, quando dizia que “com os quais recolhem os meixões (angulas, em galego)”. Angula significa meixão em castelhano; em galego oficial, a palavra a utilizar deverá ser ‘meixón’, como mostra a wikipedia galega.

Image-Languages-Europe

Belíssimo mapa (simplificado) da realidade linguística deste lado dos Urales. Os pontilhados representam zonas de substituição linguística, em que a língua oficial está a sobrepôr-se à língua histórica do território.

A azul estão as línguas romances, nos vermelhos-laranjas as eslavas, a verde as germânicas e a castanho as fino-húngricas. O galego, como é óbvio, tem a mesma cor do português, mas encontra-se em perda no território do Estado Espanhol.

“O acordo remete muitas vezes para uma tradição, mas em lugar nenhum define qual é essa tradição. Por isso optámos por regularizar bastante a ortografia”. Em muitos casos isto significou tirar os hífens (de “cor-de-rosa”, por exemplo, que o acordo admitia com hífens referindo a “tradição”, ao mesmo tempo que deixava sem hífen “cor de vinho”). Quando a referência é a pronúncia optou-se por seguir a da região de Lisboa.

No Público.

Miguel Esteves Cardoso não estará esquecido — decerto que é somente por imperativos humorísticos que o omite — de que escreve, e escrevemos, segundo as regras de um acordo ortográfico, tão obrigatório como não deseja que este agora seja mas é (ou irá ser, se entrar em vigor). Como já nascemos em plena vigência do Acordo Ortográfico de 1945, tendemos a esquecê-lo. Se o acordo entrar em vigor em 2012, em 2022 já ninguém apelará à desobediência civil. Mesmo a brincar.

Helder Guégués, no Assim Mesmo.