Progresso e gramática.

No JN.

A Avenida 24 de Julho, em Lisboa, verá reduzido substancialmente o número de faixas de rodagem em ambos os sentidos, de acordo com a versão final do Plano de Urbanização de Alcântara, que a Câmara de Lisboa poderá aprovar amanhã, quarta-feira, em reunião do executivo.

Segundo o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, a intenção é afastar do centro da cidade a quantidade de veículos que provêm da linha de Cascais. “Temos como política ter menos carros em Lisboa. Ao contrário do que aconteceu durante décadas, em que Lisboa foi sacrificada, trazendo-se mais carros”, alegou, esta terça-feira, Salgado, à margem da Assembleia Municipal de Lisboa.

Actualmente, aquela que é uma das maiores e mais movimentada avenida da capital – pela enorme quantidade de estabelecimentos de diversão nocturna -, passará a ter só duas faixas de rodagem em cada sentido, entre o Cais de Sodré e Alcântara.

Neste momento, aquela via conta não só com três faixas em cada sentido, como outras duas paralelas; onde, de um lado, passam os transportes públicos, e, do outro, há estacionamento da EMEL (Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa) e os vários acessos aos bairros da Madragoa e Alcântara.

As alterações passam por criar mais espaços verdes e passeios alargados na 24 de Julho. Contudo, alertou Salgado, a agilização do plano que irá ser votado amanhã dependerá, quer da iniciativa privada, quer dos condicionalismos financeiros do município.

No JN.

A Câmara de Torres Vedras anunciou, esta quinta-feira, Dia Europeu sem Carros, que reduziu para 30 km/hora a velocidade rodoviária junto às escolas da cidade, para incentivar a circulação de bicicletas ou a pé pelos cidadãos.

“Reduzimos a velocidade para 30 quilómetros em zonas de grande circulação automóvel e de pessoas por se localizarem junto a escolas e para dar maior segurança às pessoas”, afirmou à agência Lusa o vice-presidente da câmara, Carlos Bernardes.

A autarquia acaba de criar um primeiro circuito para bicicletas, dentro da cidade que, durante o percurso entre as escolas secundárias São Gonçalo e Henriques Nogueira, na maior parte do trajecto é coincidente com a via de circulação rodoviária ou com passeios.

“A câmara não criou um espaço específico para a ciclovia, mas sem grandes investimentos fez coincidi-la com as vias de circulação automóvel ou de peões, onde há passeios com mais de dois metros de largura”, explicou o autarca.

Medidas de baixo custo com máximo retorno? Olhem para Torres Vedras. E para Lisboa, já agora:

Sete bairros da capital, entretanto, vão passar a ser zonas 30, isto é, área onde a velocidade máxima de circulação será de 30 quilómetros por hora. O conceito já existe noutras cidades europeias. Em Lisboa foi experimentado, até agora, apenas no Bairro Azul (perto do El Corte Inglés), mas de forma incompleta. “Não estamos a falar só de sinais de trânsito”, explica o vereador Nunes da Silva. “Isso seria lançar poeira para os olhos. Vamos estreitar as faixas de rodagem, apertar as curvas, sobreelevar as passadeiras, arrumar o estacionamento e deixar espaços para jardins”.

(negrito meu)

Today 91 percent of the delegates to the Swiss Parliament take the tram to work.

Store owners in Zurich had worried that the closings would mean a drop in business, but that fear has proved unfounded, Mr. Fellmann said, because pedestrian traffic increased 30 to 40 percent where cars were banned.

Retalhos dum artigo do NyTimes, via Menos1Carro.

A mobilidade é uma necessidade dos dias que correm. O que mais me apoquenta é ver (já) várias gerações de políticos a negarem-nos a multiplicidade de opções e atirarem-nos para a monomodalidade: o carro. Que é coisa que me aborrece. Elenco:

pedonal – todas as deslocações na Póvoa em dia de chuva e nos meus destinos (depois de lá chegar noutra modalidade de transporte);

bicicleta – todas as deslocações dentro da Póvoa; parte das deslocações a Vila do Conde (tirando dias de chuva e à noite); parte das deslocações dentro do Porto (transportando a bicicleta no metro);

ferroviário – de metro até ao Porto; de metro dentro do Porto; de comboio para o Sul; há uns anos, Linha do Douro até Foz Côa, onde trabalhei; por mais de uma vez fui à Galiza de comboio (viagem supermultimodal);

rodoviário (autocarro) – por vezes faço experiências (infrutíferas) para me deslocar para Este e Norte da Póvoa de autocarro; no Porto, nos STCP;

avião – estrangeiro, para lá de Barcelona;

carro – tudo o resto.

Democracia é também variedade de opções. Na mobilidade, cada vez mais somos uma sociedade num só sentido. Tenho a sorte de ter um carro, assim posso ver os meus amigos amiúde, namorar e trabalhar no Porto. A região está toda ela montada para ser facilmente acessível de carro – todas as outras modalidades de transporte exigem um planeamento aturado, e parte das vezes retorna-se ao carro como a única possibilidade de deslocação.

A bicicleta, com ou sem a integração ferroviária, é o meu modo de transporte preferencial. Na parte de trás montei-lhe uma caixa da fruta de plástico que me serve de mala para compras mais volumosas. A campainha é essencial. Ando a alternar entre luzes da frente e de trás, sempre a partirem-se e a soltarem-se. Tenho de lhe adicionar mais refletores. Não uso capacete.

Conduzo uma gazelle, bicicleta sem mudanças, bastante pesada. Uso-a na Póvoa, terra plana, e pelos declives do Porto. Tenho 30 anos, sempre fui fraco atleta, mas nunca me senti tão saudável e tão capaz fisicamente.

Texto escrito ontem à noitinha a pedido do Herr Barbot, gajo tão ou mais maluco do que eu.

O dinheiro das SCUTS é mais importante para o Governo que as vidas Humanas . E os peões nunca deveriam ter prioridade numa estrada ! Os condutores tambem são peões e cedem a passagem a quem vai atravessar a estrada . CONFIRMO que muitos peões morrem porque querem ! porque vão a caminhar pela direita e atravessam de repente ; deviam ser multados por não circularem pela esquerda . Por vezes passo algum tempo a apreciar a travessia nas passadeiras e há peões sem cuidado algum e outros que até exageram nos mesmos cuidados . Mas o que mais tenho notado , é jovens a caminhar acelerados pela direita e fazem a perpendicular perfeita para a morte ; tenho pena dos condutores acusados sem culpa alguma ; ENTÃO PONHAM STOPS EM TODAS AS PASSADEIRAS !

Face à notícia “Nova contagem de mortos na estrada mostra aumento de 91% entre os peões“, o brilhante comentarista Ferrabráz faz a súmula possível. Por momentos ainda pensei que as mortes entre peões poderiam vir de assassínios na via pública (peões a matarem peões, atropelando-os); pelo que percebi, não. São peões que morreram atropelados por carros. Ferrabráz tem razão em tomar o lado dos condutores contra este aumento brutal de peões-suicidas.

(via)

* Ao invés das faraónicas ciclovias de lazer promovidas pelas Câmaras Municipais portuguesas, Zaragoza faz o exato contrário: gasta pouco (300.000 euros), mas poderá muito bem conseguir uma promoção do uso quotidiano da bicicleta em meio urbano substancialmente superior à dos seus congéneres portugueses. Porque construir ‘ciclovias de lazer’ ao longo das marginais, se não serve para estimular o uso quotidiano da bicicleta, tem o mesmo sentido que promover ginásios ou aulas de ginástica ao ar livre. Se o único objetivo é a promoção de uma prática desportiva saudável, há maneiras bem mais baratas de o fazer.

O que a notícia (aqui, aqui ou aqui) dá a entender é que os responsáveis da capital Aragonesa têm mais cabeça e mais tino na bolsa que os de cá. As entidades municipais têm vindo a promover a criação de uma rede de vias cicláveis na cidade, mas enquanto os ciclistas não surgem, decidiram reduzir a velocidade máxima de algumas vias para 30 km/h. Isto acontece em vias de sentido único, em parte das vias secundárias e na faixa da direita de outras vias secundárias com várias faixas de circulação que ainda não tenham faixa para bicicletas. O objetivo é simples: tornar as ruas mais amigáveis para peões e ciclistas. Menos infraestrutura, mais eficácia – é isso que fazem os da “Europa civilizada”.

* Tiro pela primeira vez em muito tempo o meu chapéu a Rui Rio:

O estacionamento ilegal nas ruas do Porto estará sob a mira da Câmara nos próximos três anos. O Município pretende rebocar, nesse período, mais de 40 mil automóveis e camiões e, para isso, vai procurar ajuda especializada no mercado dos reboques privados.

Mais aqui, ali e acolá (não se iludam pela quantidade, é tudo JN).

* Esta notícia em relação a Lisboa revela o mesmo problema, neste caso com carros impedindo a circulação dos elétricos. Uma boa notícia é a revisão das ‘coroas de estacionamento’, que permitem a diferenciação dos preços e tempos no estacionamento consoante a zona de Lisboa. Algo que aprendi no curso, e já lá vão bastantes anos: o estacionamento deve encarecer quando mais próximo do centro nos encontramos, assim como deve diminuir o tempo de estadia permitido.

* Tirei o meu chapéu a Rui Rio? Volto a colocá-lo na cabeça. A sua querida SRU, que tem tido um papel questionável na reabilitação do centro histórico do Porto, propõe um túnel de 957 metros de extensão para resolver ‘problemas de estacionamento’, entre a Rua das Flores e a Cordoaria. Na Póvoa fizeram o mesmo, com a mesma extensão, com semelhantes intenções. O estacionamento selvagem à superfície continua, o parque está invariavelmente vazio e a vontade dos poveiros de utilizar o carro para ir ao centro manteve-se (ou aumentou mesmo). Por favor, senhores da SRU, mais seriedade e profissionalismo e menos mediatismo nos vossos projetos.

* A Escola Básica Frei Caetano Brandão, em Braga, decidiu pôr os seus alunos a pedalar para a escola. Temos aqui uma boa ideia numa das piores cidades da região para o efeito.

O elevado número de rotundas e passagens aéreas bem como a grande quantidade de veículos que circulam nas imediações da Escola Básica do 2º e 3º Ciclos Frei Caetano Brandão vão atrasar a concretização do projecto “Sempre a pedalar, o ar vai ser melhor”.

(daqui)

O que Mesquita Machado conseguiu fazer nas suas várias décadas de reinado em Braga foi criar um paraíso para os peões no centro (digo ‘paraíso’ como exagero, porque o centro não é perfeito) e um inferno para os peões fora deste. Fora do centro histórico mandam os carros. Imagino que a taxa de motorização dos bracarenses nunca foi tão alta como agora.

Voltando à escola, esperam-se novas iniciativas semelhantes. E que Mesquita Machado e seus acompanhantes sejam depostos e respondam por gestão danosa.