Progresso e gramática.

No Porto 24:

A nova estação do metro do Porto da Linha Vermelha (Porto/Póvoa de Varzim) prevista para Modivas Norte, Vila do Conde, já não vai ser construída, por indicação do Governo.

“Essa obra foi retirada do plano de actividades por indicação da tutela”, afirmou Jorge Morgado, do gabinete de comunicação da Metro do Porto.

A construção desta estação, que serviria quem frequenta e trabalha no Outlet Nassica, deveria ser executada em 2012, sendo que apenas faltava lançar o concurso público.

Um porta-voz do Outlet Nassica afirmou que a única indicação que a direcção dispunha, até ao momento, era a de que a metro do Porto tinha já concluído todos os projetos necessários para a construção da estação. ”Da parte do Outlet também estava já tudo pronto, inclusive já havia um protocolo assinado entre as partes para a construção da estação”, acrescentou.

A própria direcção do Outlet, “já contando com a construção desta estação, decidiu este verão disponibilizar um shuttle de ligação para clientes e funcionários entre a estação Modivas Centro e o espaço comercial”, precisou a fonte.

O Outlet Nassica recebeu no primeiro trimestre deste ano a visita de 1,5 milhões de pessoas.

Sempre fui favorável à construção desta estação, se acompanhada do fecho / reformulação de paragens de outras estações. Está visto que o Governo não quer mesmo ver o metro a dar lucro.

futuro_b

A Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica está a coordenar uma iniciativa que visa plantar 100 mil árvores autóctones na área metropolitana do Porto, entre 2011 – Ano Internacional da Floresta – e 2015.

Em comunicado, a escola portuense informa que se trata “de um esforço conjunto de várias organizações e cidadãos, que tem como objectivo melhorar a qualidade de vida dos habitantes da área netropolitana do Porto, através do enriquecimento da biodiversidade, da captação de carbono e da protecção dos solos”.

Carvalhos, sobreiros, amieiros, castanheiros, freixos, loureiros, medronheiros e pinheiros-mansos são algumas das espécies que serão plantadas. Objectivo: criar ou proteger bosques metropolitanos.

As árvores vão começar a ser plantadas em Outubro, em Santo Tirso, S. João da Madeira, Maia, Valongo, Gondomar, Arouca e Trofa. O projecto prevê ainda que as árvores plantadas sejam acompanhadas durante 5 anos.

A iniciativa nasceu no contexto do Centro Regional de Excelência em Educação para o Desenvolvimento Sustentável da Área Metropolitana do Porto.

No Porto 24. O projeto original, aqui.

A mobilidade é uma necessidade dos dias que correm. O que mais me apoquenta é ver (já) várias gerações de políticos a negarem-nos a multiplicidade de opções e atirarem-nos para a monomodalidade: o carro. Que é coisa que me aborrece. Elenco:

pedonal – todas as deslocações na Póvoa em dia de chuva e nos meus destinos (depois de lá chegar noutra modalidade de transporte);

bicicleta – todas as deslocações dentro da Póvoa; parte das deslocações a Vila do Conde (tirando dias de chuva e à noite); parte das deslocações dentro do Porto (transportando a bicicleta no metro);

ferroviário – de metro até ao Porto; de metro dentro do Porto; de comboio para o Sul; há uns anos, Linha do Douro até Foz Côa, onde trabalhei; por mais de uma vez fui à Galiza de comboio (viagem supermultimodal);

rodoviário (autocarro) – por vezes faço experiências (infrutíferas) para me deslocar para Este e Norte da Póvoa de autocarro; no Porto, nos STCP;

avião – estrangeiro, para lá de Barcelona;

carro – tudo o resto.

Democracia é também variedade de opções. Na mobilidade, cada vez mais somos uma sociedade num só sentido. Tenho a sorte de ter um carro, assim posso ver os meus amigos amiúde, namorar e trabalhar no Porto. A região está toda ela montada para ser facilmente acessível de carro – todas as outras modalidades de transporte exigem um planeamento aturado, e parte das vezes retorna-se ao carro como a única possibilidade de deslocação.

A bicicleta, com ou sem a integração ferroviária, é o meu modo de transporte preferencial. Na parte de trás montei-lhe uma caixa da fruta de plástico que me serve de mala para compras mais volumosas. A campainha é essencial. Ando a alternar entre luzes da frente e de trás, sempre a partirem-se e a soltarem-se. Tenho de lhe adicionar mais refletores. Não uso capacete.

Conduzo uma gazelle, bicicleta sem mudanças, bastante pesada. Uso-a na Póvoa, terra plana, e pelos declives do Porto. Tenho 30 anos, sempre fui fraco atleta, mas nunca me senti tão saudável e tão capaz fisicamente.

Texto escrito ontem à noitinha a pedido do Herr Barbot, gajo tão ou mais maluco do que eu.

“99% da população é contra”, diz José Costa, da Assembleia de Freguesia da Estela, que em Junho recomendou à Câmara “acabar com o nudismo na Estela”, sublinhando: “Caso eles continuem aqui, a população pode optar pela violência” – alusão a um episódio tenso do Verão de 2007 em que 300 populares, irados, armados de paus, invadiram o areal, intimidando uns 30 naturistas.

Referindo-se à praia da Estela, no limite norte do concelho da Póvoa de Varzim. No JN.

* Ao invés das faraónicas ciclovias de lazer promovidas pelas Câmaras Municipais portuguesas, Zaragoza faz o exato contrário: gasta pouco (300.000 euros), mas poderá muito bem conseguir uma promoção do uso quotidiano da bicicleta em meio urbano substancialmente superior à dos seus congéneres portugueses. Porque construir ‘ciclovias de lazer’ ao longo das marginais, se não serve para estimular o uso quotidiano da bicicleta, tem o mesmo sentido que promover ginásios ou aulas de ginástica ao ar livre. Se o único objetivo é a promoção de uma prática desportiva saudável, há maneiras bem mais baratas de o fazer.

O que a notícia (aqui, aqui ou aqui) dá a entender é que os responsáveis da capital Aragonesa têm mais cabeça e mais tino na bolsa que os de cá. As entidades municipais têm vindo a promover a criação de uma rede de vias cicláveis na cidade, mas enquanto os ciclistas não surgem, decidiram reduzir a velocidade máxima de algumas vias para 30 km/h. Isto acontece em vias de sentido único, em parte das vias secundárias e na faixa da direita de outras vias secundárias com várias faixas de circulação que ainda não tenham faixa para bicicletas. O objetivo é simples: tornar as ruas mais amigáveis para peões e ciclistas. Menos infraestrutura, mais eficácia – é isso que fazem os da “Europa civilizada”.

* Tiro pela primeira vez em muito tempo o meu chapéu a Rui Rio:

O estacionamento ilegal nas ruas do Porto estará sob a mira da Câmara nos próximos três anos. O Município pretende rebocar, nesse período, mais de 40 mil automóveis e camiões e, para isso, vai procurar ajuda especializada no mercado dos reboques privados.

Mais aqui, ali e acolá (não se iludam pela quantidade, é tudo JN).

* Esta notícia em relação a Lisboa revela o mesmo problema, neste caso com carros impedindo a circulação dos elétricos. Uma boa notícia é a revisão das ‘coroas de estacionamento’, que permitem a diferenciação dos preços e tempos no estacionamento consoante a zona de Lisboa. Algo que aprendi no curso, e já lá vão bastantes anos: o estacionamento deve encarecer quando mais próximo do centro nos encontramos, assim como deve diminuir o tempo de estadia permitido.

* Tirei o meu chapéu a Rui Rio? Volto a colocá-lo na cabeça. A sua querida SRU, que tem tido um papel questionável na reabilitação do centro histórico do Porto, propõe um túnel de 957 metros de extensão para resolver ‘problemas de estacionamento’, entre a Rua das Flores e a Cordoaria. Na Póvoa fizeram o mesmo, com a mesma extensão, com semelhantes intenções. O estacionamento selvagem à superfície continua, o parque está invariavelmente vazio e a vontade dos poveiros de utilizar o carro para ir ao centro manteve-se (ou aumentou mesmo). Por favor, senhores da SRU, mais seriedade e profissionalismo e menos mediatismo nos vossos projetos.

* A Escola Básica Frei Caetano Brandão, em Braga, decidiu pôr os seus alunos a pedalar para a escola. Temos aqui uma boa ideia numa das piores cidades da região para o efeito.

O elevado número de rotundas e passagens aéreas bem como a grande quantidade de veículos que circulam nas imediações da Escola Básica do 2º e 3º Ciclos Frei Caetano Brandão vão atrasar a concretização do projecto “Sempre a pedalar, o ar vai ser melhor”.

(daqui)

O que Mesquita Machado conseguiu fazer nas suas várias décadas de reinado em Braga foi criar um paraíso para os peões no centro (digo ‘paraíso’ como exagero, porque o centro não é perfeito) e um inferno para os peões fora deste. Fora do centro histórico mandam os carros. Imagino que a taxa de motorização dos bracarenses nunca foi tão alta como agora.

Voltando à escola, esperam-se novas iniciativas semelhantes. E que Mesquita Machado e seus acompanhantes sejam depostos e respondam por gestão danosa.

* A mais maravilhosa lista de prémios e concursos literários volta a ser atualizada.

* E aí estão (finalmente, finalmente) os novos veículos da Metro do Porto. Ainda não é para já que se comprova a validade da opção tram-train para os percursos suburbanos (só em Fevereiro os tram-train substituirão totalmente os outros veículos na Linha da Póvoa, mantendo para já os mesmos horários), mas já dará para contar com maior conforto, mais espaço disponível (23.000 lugares extra por dia) e um veículo um pouco mais ecológico (recupera parte da energia nas travagens). Espera-se que em Fevereiro se cumpra a promessa das ligações Expresso Póvoa-Trindade em meia-hora.

metro-3786

Ligações aqui e aqui.

* Concordo com estes senhores quando dizem que a nova ponte da Alta Velocidade deverá ser construída entre as Devesas e a Boavista, paralela à Ponte da Arrábida (ao invés da prevista reformulação da Ponte de São João / nova ponte paralela a esta), servindo também para a segunda linha de metro para Gaia. O comboio, seja ele qual for, deve cruzar o centro das cidades, e não o que se vai planeando por aí.

Curioso é que os dois professores da FEUP discordam quanto à melhor localização de uma ponte para o TGV – Pinho é defensor de uma ponte paralela ao Freixo; Fonseca de uma travessia na zona da Restauração – mas concordam ao considerar que o TGV pela S. João vai prejudicar o trânsito ferroviário suburbano e o Alfa Pendular. “Os comboios de velocidade mais elevada sacrificam tudo o resto”, disse Adão da Fonseca.O presidente da Câmara de Gaia alinha com este catedrático da FEUP no princípio de que o TGV deve servir o centro das cidades, subscrevendo a ideia de uma ponte pela zona do Palácio de Cristal.

Já dizia o ditado, um mau jornalista dá-te coceira no cu (ditado que, curiosamente, não existe). Notícia no Público sobre o Entroncamento. Lê-se o título e, uau!

Entroncamento acelera construção de rede de ciclovias

Fica-se mesmo a pensar que o Entroncamento irá ser o paraíso das ciclovias. Lê-se mais um pouco e, uh?,

Até ao momento, o concelho dispõe de 2,2 quilómetros de ciclovia.

e que

A rede das ciclovias do Entroncamento terá, quando concluída, uma extensão global de cerca de quatro quilómetros

e conclui-se que a mísera (2.2 qms!) rede de ciclovias atual do Entroncamento nem sequer duplicará. Bela notícia, portanto. Ah, e

A médio prazo será possível atravessar a cidade de um extremo ao outro e aceder às principais zonas de lazer sem sair das vias dedicadas às bicicletas e, nalguns troços, também a peões.

Ciclovias de lazer. Raio de invenção.

(só a ciclovia entre o Estádio do Varzim e o forte na Foz do Ave tem mais de 5 qms, e nem é assim especialmente comprida)

* 14 razões para a Preservação do Património do Vale do Tua.

* Toda esta cena é infeliz. Compreendo que Maria José Nogueira Pinto seja uma snob ‘da linha de Cascais’ que inventa palavras como ‘adqüirem’ (a fazer lembrar os bíblicos ‘contéudos’ de António Vitorino). O que não lhe reconheço é a legitimidade para insultar indiscriminadamente outro deputado, e logo eles que são membros de um órgão de soberania como a Assembleia da República. Não especialmente elegante a resposta de Ricardo Gonçalves, que apesar de tudo toca num ponto sensível: a ideia de ‘capital’ como direto oposto de ‘província’, ainda profundamente enraizada na sociedade portuguesa.

* É claro, a Póvoa tem de antecipar as vagas inumeráveis de migrantes oriundos de ilhas devastadas pelas mudanças climatéricas. Milhares de migrantes!, aviso-vos. Agora a sério, tanto prédio para quê?

Câmara da Póvoa aumenta índices de construçãopara [sic] ter mais prédios nas áreas de expansão da cidade

No Público.

* Em Gondomar volta a política de grande calibre. A ideia mirabolante de Valentim Loureiro de concentrar em si a maior parte das competências na área do urbanismo teve um acrescento de delírio com a votação da mesma proposta (rejeitada anteriormente em reunião da Câmara) aproveitando a ausência de dois vereadores do PS. Para além de desleal, a votação de questões não previstas na ordem de trabalhos é ilegal. Onde há Valentim não há lei, parece-me.

* Como muito bem apontado pelos amigos do menos1carro, uma medida simpática da Câmara de Almada foi totalmente cilindrada por esta reportagem do ‘nós por cá’. A plantação de árvores fora dos passeios é de louvar: para além de poupar espaço aos peões, ajuda à redução da velocidade dos carros. Isto, claro, acompanhado de sinalização horizontal e alguma sinalização vertical. É o efeito ziguezague.

O ‘nós por cá’ optou pela total ridicularização da questão, apostando em transmitir sem critério a opinião dos passantes, por mais parvas que soassem. O programa pode por vezes tocar em pontos sensíveis, mas se se deixa encantar pela sua própria prosápia, repetindo avulsamente o tom jocoso e a música parva e falando apenas com um dos lados da questão, perde objetividade. E filmarem carros em cima do passeio como uma paisagem natural e as árvores na via como extravagâncias é ser-se estúpido. Ou tratar os espetadores como estúpidos.

* Nada de novo na CP. Horários de inverno, mais transbordos. Caricato é perceber que é a própria CP a reconhecer que não consegue fazer melhor:

[...]

O presidente da empresa, Cardoso dos Reis, está consciente desta realidade. “A lógica da CP dividida em unidades de negócio, no sentido da privatização, levou a que estas trabalhassem de forma autónoma”, reconhece. Mas, aparentemente, não consegue resolver o problema. “As forças integradoras não conseguiram fazer vingar uma perfeita coordenação entre elas”, disse ao Público.

No Público, via ComboiosXXI.

* O córnico (não confundir com cómico, um outro tipo de linguagem), língua céltica (como o gaélico), vai passar a fazer parte do espaço público da Cornualha, juntamente com o inglês. Ainda não na sinalização viária (como na imagem, na Escócia), mas apenas em afixações públicas. O governo regional também começará a usá-lo, sendo a tradução da sua página a primeira medida a tomar. No PGL.

Mallaig_sign

* Já deu processos judiciais no passado, acusando o Presidente da Junta de Freguesia da Póvoa de Varzim (e, por inerência, o Presidente da Câmara) de utilizar dinheiros públicos para promoção pessoal. Não obstante, a Junta de Freguesia continua a organizar o São Martinho do idoso, almoço em que se come castanhas e se atura comício dos Presidentes da Junta e da Câmara.

Não é o desperdício de fundos públicos que me chateia – longe disso. O desperdício do dinheiro que é de todos é a constante na gestão autárquica por todo o país. O que me chateia é a soberba de quem se acha acima da lei, organizando estes eventos que servem apenas para comprar votos e enganar gente com pouca cultura democrática. Chateia mesmo.

* Brutal esta troca de correio-e entre Pedro Marinho e a CMP. Sucinto, moderno e realista – todo o que são boas práticas na implantação de vias cicláveis em meio urbano está aqui. Houvesse mais gente a pensar igual e haveria real progresso social.

*É anunciada pela enésima vez a reabertura da ligação ferroviária entre o Pocinho e Barca d’Alva. Ainda sem garantias de reabertura até Salamanca, e apenas para turismo, para já. A boa notícia é de que a intervenção prevista implica “travessas de betão, carris soldados e, sobretudo, o reforço e consolidação dos taludes, túneis e pontes”. Que usem travessas de betão polivalentes, já que a REFER vai comprar 300 mil travessas de dupla fixação.

É um investimento de luxo, bastante superior ao estritamente necessário para voltar a pôr os comboios sobre os carris entre Pocinho e Barca de Alva. Com os 25 milhões de euros anteontem anunciados pela secretária de Estado dos Transportes, mais do que reabrir a linha, trata-se de construir uma nova no traçado da anterior, com travessas de betão, carris soldados e, sobretudo, o reforço e consolidação dos taludes, túneis e pontes. Tudo isto permitirá velocidades da ordem dos 80 km/hora, o que é bastante mais do que os 30 km/hora a que os comboios circulavam quando a linha foi encerrada. Mais: o troço reaberto ficará até em melhores condições do que a actual linha do Douro entre a Régua e o Pocinho.

Faz sentido então a pergunta: para quê gastar tanto dinheiro, quando se prevê apenas uma exploração turística, certamente não diária, e para composições lentas onde o objectivo é a fruição da viagem? Porque existe a “ambição” de que a linha do Douro volte a ter passageiros e também mercadorias até à fronteira espanhola, e para além dela se Espanha decidire entretanto reabrir a sua parte entre La Fregeneda e La Fuente de San Esteban (Salamanca). E, se assim for, este eixo ferroviário poderá ser uma “ligação à Europa”, como referiu ontem ao PÚBLICO a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino.

(…)

Se não houver interessadas, restará à CP encontrar parceiros e efectuar o serviço turístico sozinha. Para já a empresa não está empenhada na exploração comercial daquele troço devido à desertificação da região e ao facto de as estações se situarem longe das localidades que servem (Foz Côa, Castelo Melhor e Almendra). Mas, tendo em conta o previsível bom estado em que ficará a infra-estrutura após o investimento de 25 milhões de euros, os custos de prolongar os comboios regulares do Pocinho a Barca de Alva seriam quase marginais.

O PÚBLICO fez as contas para saber quanto custaria à CP uma viagem de ida e volta no troço a reabrir com uma automotora diesel. Com base no directório de rede da Refer, a CP teria de pagar 101,36 euros de taxa de uso (portagem ferroviária), mais 45 euros de combustível, 20 euros para um operador de circulação e 18 cêntimos pela utilização da estação de Barca de Alva, o que perfaz 166,54 euros por cada comboio. Se cada bilhete de ida e volta custasse 4 euros, a transportadora pública necessitaria de ter um mínimo de 42 passageiros por comboio, que é um valor muito acima da média dos que circulam entre Régua e Pocinho.

Há que ter em conta, porém, que com uma linha nova os tempos de percurso seriam inferiores e, com boas ligações à Régua e ao Porto, a linha do Douro ganharia competitividade face à actual alternativa rodoviária. É que, em 1987, quando a linha foi encerrada, de Barca de Alva ao Porto demorava-se 5 horas e 39 minutos, mas com a reposição do troço em falta e as obras de modernização previstas entre Caíde e Marco, a mesma viagem poderá ser feita em 3 horas e 20 minutos.

No Público.

* Mais a montante no rio, anunciam-se 70 milhões de euros em investimento. A duplicação entre Caíde e o Marco fica adiada, mas para já moderniza-se e eletrifica-se:

(…)

O investimento é avultado, mas esgota-se nos 14,8 quilómetros de linha do Douro entre Caíde e o Marco. São cerca de 4,7 milhões de euros por quilómetro. Um investimento para garantir melhores tempos de percurso e maior segurança para os passageiros e para quem atravessa a via férrea.

“Esta intervenção inclui pequenas rectificações do traçado, a renovação integral da via, a sua electrificação, a remodelação das estações de Vila Meã, Livração e Marco de Canaveses e dos apeadeiros de Oliveira e Recezinhos, a construção de interfaces rodoferroviários, a beneficiação dos túneis de Caíde (1085 metros), Gaviara (258 metros) e Campainha (228 metros) e a supressão das passagens de nível ainda existentes”, sintetiza a Refer.

(…)

A Refer anuncia, ainda, que a modernização daquele troço também passa pela sinalização electrónica, o que “contribuirá para a optimização da oferta do transporte ferroviário, aumentando a sua capacidade, fiabilidade e segurança”.

No JN.

* Ainda mais a montante, eis que chega a Linha de Leixões:

Os comboios de passageiros começam a circular na linha de Leixões na próxima semana, anunciou, ontem, quinta-feira, a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, durante a sessão de apresentção dos novos veículos da Metro do Porto.

As composições vão fazer a ligação entre as estações de Ermesinde (Valongo) e de Leça do Balio (Matosinhos), com paragem em S. Gemil (Maia) e S. Mamede de Infesta (Matosinhos). No início de Julho passado, a Refer adjudicou a renovação das plataformas, por 476 mil euros. A viagem entre Ermesinde e Leça do Balio deverá demorar 16 minutos. Em 2010, as comboios deverão chegar a Leixões, sendo que Ana Paula Vitorino reiterou que o objectivo é estender a linha, no outro extremo, até Campanhã (Porto).

(…)

No JN.

*E, virando para norte, começam os tram-train a bombar:

Para as dezenas de pessoas que assistiram ontem, na estação da Trindade, à partida do tram-train na sua viagem de apresentação até Pedras Rubras, este parecia um veículo igual aos outros. Mas as novas composições do metro do Porto são, afinal, mais rápidas, mais potentes e mais confortáveis. Rápidas porque podem chegar aos 100 quilómetros por hora, ao contrário dos veículos actuais, que não passam dos 80, mais potentes porque podem acelerar mais depressa e mais confortáveis porque vão ter capacidade para mais 32 lugares, dos quais 20 sentados.

Na prática, tudo isto se traduz numa redução da viagem de dez minutos entre a Póvoa e a Trindade e num maior número de passageiros mais satisfeitos por viajarem sentados.

Mas, para a Metro do Porto, as vantagens do tram-train são-no sobretudo ao nível da exploração. As novas composições estão particularmente vocacionadas para fazer serviço suburbano, realizando o serviço expresso do Porto à Póvoa e vão permitir libertar os outros veículos para o serviço urbano, reforçando a oferta actual e, sobretudo, dando uma grande capacidade à empresa para responder a picos de procura quando há grandes eventos na cidade.

E quando começam a funcionar? Ricardo Fonseca, presidente da Metro do Porto, não quis comprometer-se com uma data precisa. “Em Outubro”, disse. E explicou que é necessário ultimar os ensaios que têm vindo a ser feitos, não só sobre a adequação do material à via como a própria sinalização que agora deverá estar adaptada a uma maior velocidade.

O PÚBLICO apurou que estes trabalhos se atrasaram e que desde há vários meses que existem tram-trains em número suficiente para o o serviço. Neste momento, dos 30 veículos encomendados, 19 já estão parqueados em Guifões, devendo os restantes ser entregues pelo fabricante Bombardier até ao fim do ano. O investimento foi de 113,5 milhões de euros.

(…)

Com uma frota de 102 veículos (72 eléctricos e 30 tram-trains), a Metro do Porto não precisa de mais material circulante até 2015, ano em que, segundo Ricardo Fonseca, serão adquiridos mais 18 veículos. Mas, para já, está tudo preparado para assegurar os serviços da segunda fase do plano de expansão do metro que a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, não deixou de anunciar e que representa um investimento de 1200 milhões de euros.

E a Trofa, finalmente:

Foi anunciada a construção, aproveitando o traçado da via-férrea da antiga linha da Trindade até à Trofa, de uma nova linha que vai receber os passageiros da CP vindos de Viana, Braga ou Guimarães, que poderão logo ali apanhar o metro para o centro da Invicta sem passar por Campanhã.

No Público.

*Em Lisboa, o metro acabou de medrar mais um poucochinho – apesar de tudo, uma ligação importantíssima:

O novo troço da linha Vermelha do Metropolitano de Lisboa foi inaugurado este sábado.

O prolongamento da linha tem 2,2 quilómetros de extensão, custou 210 milhões de euros e vai servir 32 milhões de passageiros por ano.

É a primeira vez que a linha Vermelha se interliga às três restantes linhas – Verde, Amarela e Azul – através de uma conexão transversal a meio da sua extensão. A grande vantagem para os utilizadores do metro passa pela redução substancial na duração das deslocações.

A título de exemplo registe-se que uma viagem entre a Alameda e São Sebastião passou de 17 para apenas cinco minutos. A obra foi iniciada em 2003 com previsão de conclusão em 2006 e foi inicialmente orçada em 132 milhões de euros. Terminou em 2009 e com um custo total de 210 milhões de euros.´

(…)

No JN.