Progresso e gramática.

Rio Fernandes, no Porto24.

Depois de muitos anos a “arrastar os pés” na reforma da administração pública, há uma nova oportunidade aberta pela troika – que obrigou a Grécia a regionalizar-se –, a qual, todavia, parece ser muito mal aproveitada pelo governo, num “documento verde” (que título!!!) que mais parece uma espécie de proto-”Lei Relvas 2″ por fazer lembrar a misturada e confusão que ocorreu quando Relvas era secretário de Estado e achou bem fazer aprovar a criação de grandes e menos grandes áreas metropolitanas (Trás-os-Montes esteve quase a ser área metropolitana!), comunidades urbanas de vários tipos e pequenas associações municipais (como a que estabeleceu na margem sul do Rio Minho).

Entretanto fala da fusão das freguesias e diz:

Bem mais relevante para o município do Porto e todos os demais da Área Metropolitana do Porto serão, ou poderão ser, os efeitos de uma (desejável, digo eu) transferência de competências do nível central do Estado e do nível local do Estado para a AMP. Tal deveria implicar a eleição direta de quem a dirige (hoje desconhecido de 99,9% dos cidadãos), para maior responsabilização e capacitação, o que não é previsto numa proposta que muito fala em descentralização, mas que nesse sentido nada propõe de especialmente relevante.

Fala bem Rio Fernandes. Sou rapaz novo mas lembro-me bem das ideias peregrinas de Miguel Relvas, que entretanto voltou à carga.

Por fim: apetece baixar os braços quando vemos Alberto João Jardim levar sempre a sua avante. Os madeirenses não vão contribuir para a diminuição da dívida nacional com os 50% do subsídio de Natal. São mais 12 milhões a ajudar os desvarios de Jardim porque o dinheiro fica na região. Este homem recebeu 700 milhões de euros por causa da tragédia de 2010 e não admitiu, pelo menos, a irresponsável falta de ordenamento do território da ilha e para cujas consequências foi sistematicamente avisado. A Madeira suspende os planos directores municipais ao sabor das conveniências e não tem em vigor coisas básicas como o Plano de Ordenamento da Orla Costeira aplicável ao território nacional. Em 35 anos, Jardim não conseguiu que a região deixasse de ser dependente da construção e do turismo. Pelo contrário, reforçou esta espiral com uma oligarquia de “boys” e empresas do regime. Quer nova maioria absoluta? Este homem não tem uma ideia nova para a ilha. Vive com uma nova droga financeira que mina o próprio país, o inenarrável off-shore. Francamente: vale a pena ajudar a Madeira, é Portugal. Não vale a pena sustentar o jardim de betão de Jardim.

Daniel Deusdado, bestial no JN. (via)

Daniel Rodrigues elenca o que pedir em troca do Lx-Madrid,

1. 900 metros de ligação da Linha de Leixões ao aeroporto.
2. 1km de ramal na Pampilhosa para ligação directa à Linha da Beira sem necessidade de marcha-atrás (as mercadorias de comboio vão acabar por ir por Vilar de Formoso, esqueçam Douro-Salamanca, ou mesmo Vigo).
3. 10 km de execução da ligação Amarante à Linha do Douro.
4. Anel ferroviário com Guimarães – Vizela – Santo Tirso – Famalicão – Braga: 1 km de ramal em Lousado-Ancide
5. Canal ferroviário directo Braga-Guimarães (posterior extensão a Felgueiras e Amarante)
6. Construção do canal do Vouga: bitola compatível com a restante rede: electrificação, duplicação do canal, corte de curvas. (Posterior ligação a Viseu e Linha da Beira)

e Lurdes Lemos fala com propriedade sobre projetos que aprofundei aqui:

Penso, porém, que estas articulações devem ser feitas com visão de futuro. A ligação ao Aeroporto, por exemplo, deve ser pensada como um troço do que poderá ser um eixo fundamental do nó ferroviário do Porto. Refiro-me à ligação directa a partir da Linha do Norte, atravessando o Porto pela zona da Boavista. Esta ligação já foi anteriormente aqui referida por diversos intervenientes e não difere muito da que foi planeada nos anos 40 e 50, quando se considerava a hipótese da Ponte da Arrábida vir a ser rodo-ferroviária. Se esta ligação for realizada segundo o modelo de outras cidades europeias (veja-se o atravessamento norte-sul de Bruxelas, o projecto CEVA de Genéve em realização, ou os atravessamentos subterrâneos para comboios sub-urbanos em cidades como Madrid, Paris, Milão e Berlim com estações não muito distantes entre si) a segunda linha do metro para Gaia torna-se dispensável, pelo menos a curto prazo. Claro que este investimento seria mais pesado, pelo que seria algo a realizar mais tardiamente devido ao cenário de crise actual, mas que não deveria ser inviabilizado por outros projectos, como a ligação ao Aeroporto ou a ponte sobre o Douro “paralela” à da Arrábida que podem e devem ser pensadas tendo em conta o dito atravessamento.

* Morreu Isabel Alves Costa. E não foi Rui Rio que ganhou, mas todos nós que perdemos.

(aqui em gravação áudio, no inner city; aqui as Comédias do Minho, de cuja comissão artística fazia parte)

* Este blogue e respetivo autor irão entrar em hibernação durante as próximas horas, para apenas verem a luz do dia algures pelo fim do mês. Até lá poderão ser encontrados por aqui.