Progresso e gramática.

No Porto24:

Governo quer candidatar ligação Porto-Vigo ao próximo QREN

O secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, considerou esta segunda-feira a ligação ferroviária Porto-Vigo “estruturante” e disse desejar que no âmbito do próximo quadro comunitário de apoio seja possível integrar esta linha na agenda ibérica.

“A ligação Porto-Vigo é estruturante”, disse Sérgio Monteiro, acrescentando que é preciso “voltar a colocá-la no centro da discussão entre os 2 países [Portugal-Espanha]“.

Falando no âmbito de um colóquio sobre mobilidade e transportes, que decorreu esta segunda-feira de manhã em Gaia, o secretário de Estado adiantou que quando o Governo se reuniu com o seu homólogo espanhol percebeu que este “não considerava fundamental” esta ligação.

O erro terá sido, digo eu, ter falado com o homólogo espanhol, e não com o homólogo galego.

“Mas espero que no próximo quadro comunitário de apoio – 2014/2020 – tenhamos condições de colocar a linha Porto-Vigo” na agenda, frisou.

O governante voltou a defender a utilização de parte do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) para o sector dos transportes, afirmando que esta será uma forma do Governo de poder avançar com a expansão das redes do metro do Porto e Lisboa.

O governante reafirmou que só “retirando gordura ao sistema e não chamando os impostos de todos a servir privilégios só de alguns é que será possível pedir dinheiro ao Estado para investimentos que geram valor, como a expansão do metro”.

Pronto. Tinha de estalar o verniz. Os meus impostos continuam a sustentar grande parte do investimento rodoviário do país, mas quando se fala de transportes públicos (que até agora representaram uma parte mínima do orçamento do país), parece que não há autoestradas em Portugal.

Moro na Póvoa, arredores do Porto. Utilizo, sempre que posso, os transportes públicos. Esta é cada vez menos uma opção económica (com as subidas dos preços dos bilhetes), mas cada vez mais uma opção ecológica e social. Social porque, assim, o meu carro não polui os pulmões dos tripeiros, e também porque, assim, sem o meu carro nas ruas do Porto sobra mais espaço para quem vive e trabalha no Porto e tenha mesmo que usar o carro o possa fazer mais facilmente.

Não tolero é que chamem ‘privilegiado’, como acabou de me chamar o Secretário de Estado. Todos os portugueses deviam ter acesso a redes de transportes públicos qualificados e sustentáveis, e não esta carrodependência da treta.

No Expresso, via.

Portugal é o país da Europa com mais autoestradas per capita, o que promove ainda mais o uso do carro em detrimento da utilização dos transportes públicos, afirmou hoje um responsável da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados (ACAM).

“Portugal tentou melhorar a mobilização com uma solução de ‘penso rápido’, que foi através do investimento em infraestruturas rodoviárias pesadas, nomeadamente autoestradas e hoje é o país da Europa com mais autoestradas per capita”, disse Mário Alves à agência Lusa.

Sublinhando que a região de Lisboa “é a região europeia com mais vias rápidas”, Mário Alves afirmou que essas infraestruturas têm o “reverso da medalha porque tornam as pessoas muito dependentes do automóvel”.

“Enquanto os portugueses não pensarem, quando vão de Lisboa para o Porto ou para Viseu, que o comboio é a primeira solução, vamos continuar a ter muitos mortos por atropelamento nas cidades”, alertou.

Para promover uma mobilidade mais sustentável, o responsável da ACAM disse que é “preciso ter uma visão estratégica”, que passa por estimular o uso do modo pedonal, ciclável e dos transportes públicos “de forma a reduzir o uso do automóvel”.

Defendeu ainda a criação de ruas mistas, frequentadas por veículos e por pessoas, “com prioridade para o peão”.

Dificilmente alguém que vá do Porto ou de Lisboa para Viseu escolhe o comboio como primeira solução, até porque Viseu já não tem comboios há mais de vinte anos. Mas percebo a ideia.

No Diário Digital:

O presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP) afirmou hoje que o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, só faz «asneira» no que toca à mobilidade na cidade e, como tal, devia sair da autarquia.
«A cidade de Lisboa é liderada por um presidente e por um vice-presidente que têm uma obsessão, que nunca vão conseguir na vida, que é pôr todos os portugueses a andar de bicicleta. Tudo o que puderem destruir em mobilidade em Lisboa vão fazê-lo» disse hoje Carlos Barbosa.

Em declarações à Lusa, o presidente do ACP disse que aqueles autarcas «não se lembram que esta é uma cidade com sete colinas» e «que a mobilidade que gostariam de ter não é possível».

Carlos Barbosa enumerou os 500 lugares de estacionamento que a câmara tirou da Avenida Duque D’Ávila para fazer uma ciclovia “que nunca ninguém vai utilizar” como uma das más opções da autarquia.

A resposta, no Público:

A MUBi, associação pela mobilidade urbana de bicicleta, “repudia totalmente” a posição do presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP) nas críticas que fez ao presidente da Câmara de Lisboa acerca das ciclovias na cidade.

“Apesar de Lisboa não ter ainda entrado na nova era da mobilidade onde as pessoas são o focus, onde os transportes públicos, os peões e as bicicletas têm um lugar mais central, tem havido algum esforço em prol da utilização da bicicleta na cidade”, indica a associação em comunicado.

Quanto às sete colinas de Lisboa, a MUBi relembra que as bicicletas “têm evoluído e há modelos adequados a todo o tipo de utilização”.

Não censuro Carlos Barbosa. Ele é presidente de um lóbi pró-automóvel e é pago para fazer esse lóbi. O que para mim é preocupante é achar-se que a guerra é entre carros e ciclistas. Nada mais errado – a guerra é entre os carros e os não-carros: peões, ciclistas, utilizadores de transportes públicos, etc. Tem de haver lugar para todos.

Se eu fosse sócio do ACP questionaria era o facto de Carlos Barbosa só se pronunciar em questões relativas a Lisboa.

Mais austeridade, desta vez pela mão da autarquia lisboeta, sob os utilizadores do IC19, do IC2 e da Marginal. O secretário de Estado dos Transportes irá receber um representante da Câmara Municipal de Lisboa, para discutir a introdução de portagens para circular nestas vias.

Segundo o vereador da Mobilidade na edilidade lisboeta, Nunes da Silva, a finalidade é financiar os transportes públicos. Todas as verbas que [sic] conseguidas através das portagens serão canalizadas para este fim.

Daqui. Já reações.

Como não têm de fazer compras de loja em loja poupam tempo. E dinheiro.

(publicidade ao Continente, omnipresente por estes dias)

Vejamos o meu exemplo. Faço parte das minhas compras na Póvoa, onde circulo apenas de bicicleta. Acabo por ir muito ao Modelo ou ao Feira Nova por causa dos preços, mas tento comprar o que puder no comércio tradicional. Sempre que vou a uma grande superfície tenho de sair do núcleo urbano, uma deslocação que para além de mais perigosa para quem circula de bicla é também deslocada do centro. Ando mais para lá chegar e não gasto dinheiro. Porque vou de bicla. Assim como não gasto dinheiro quando vou ao comércio tradicional.

Senhores da Sonae, nem todo o mundo anda de carro.

As Linhas de Via Estreita do Douro, que outrora cruzavam quase 400 quilómetros de terra trasmontana e duriense, estão agora reduzidas a vias encerradas, estações abandonadas e a carril arrancado. Na realidade, nos distritos de Vila Real e de Bragança sobrou apenas a Linha do Douro (eternamente subfinanciada, e amputada nos anos oitenta da sua ligação a Salamanca) como resquício do que foi um sistema ferroviário. Foi nesses anos oitenta que surgiu essa hecatombe ferroviária, rematada em 2009 pelo Governo de José Sócrates.

Cavaco Silva, Primeiro-Ministro entre 1985 e 1995, decidiu encerrar a totalidade da Linha do Sabor, em 1988, e os troços norte das Linhas do Tâmega e Corgo, em 1990, e do Tua, em 1992. Apesar do desinvestimento constante, da redução do número e da qualidade dos serviços, e do fim da fiabilidade das ligações, que levaram à diminuição do número de passageiros, a razão apresentada para o fim da circulação de comboios nestas linhas foi a “segurança”.

Em 2009, a sucessão de acidentes no Tua (os únicos acidentes graves na já centenária história da linha, que ocorreram nos anos anteriores ao fecho) levou José Sócrates a “destruir” o pouco que restava das linhas. Podíamos dizer apenas “fechar”, mas o que se passou foi um verdadeiro aniquilamento das Linhas de Via Estreita do Douro, com o “encerramento temporário para modernização”, nas Linhas do Tâmega e do Corgo, cuja única obra consistiu no arranque e venda dos carris. Ana Paula Vitorino, Secretária de Estado dos Transportes na altura, poderá também responder por isto.

A Linha do Tua, por azar ou sorte, não teve igual destino. O único troço encerrado “por razões de segurança” foi o Foz Tua-Cachão, continuando ainda em funcionamento o troço Cachão-Mirandela, através da Metro de Mirandela. O azar da Linha do Tua não foi apenas o desnorte dos Governos de José Sócrates no que toca à ferrovia, mas antes outro desastre: o Programa Nacional de Barragens (PNB) com Elevado Potencial Hidroeléctrico.

Este Programa, censurado pela União Europeia por o considerar desnecessário e com um impacto mal estudado, prevê a construção de dez barragens, das quais seis se situam a norte do Douro. É reconhecida a falta de retorno económico e social de uma barragem para as populações locais, e exceptuando o período de construção, as barragens trazem apenas malefícios, como a perda da qualidade da água ou mesmo a mudança das condições climatéricas da região, para não falar da perda de biodiversidade e de terrenos de cultivo. E estando nós num período em que tanto se fala da importância de racionalizar o consumo de energia, a megalomania deste Programa irá apenas contribuir com cerca de 3% do total de energia eléctrica consumida actualmente em Portugal.

O que poucos estariam à espera é que as barragens, tão custosas de construir, com tão baixo retorno económico e com tal deterioração das condições de vida das populações, seriam também um rombo inqualificável nas contas públicas. A Parceria Público-Privada montada para sustentar o PNB envolve 7.000 milhões de euros, a pagar durante décadas (com juros assustadores), garantindo, apesar de tudo, 30% das receitas previstas às concessionárias, com muita ou pouca produção de energia. Existem negócios em que todos ganham (os chamados win-win); este é, no entanto, um negócio ruinoso para as contas do Estado, para as populações locais, que perderão a paisagem e as culturas, para o país, com a perda da biodiversidade, mas extremamente lucrativo para todas as empresas envolvidas, sejam as concessionárias, sejam as construtoras.

O Governo justifica a pertinência do Programa Nacional de Barragens por sermos, supostamente, o país da União Europeia com menor aproveitamento hídrico. A verdade é que a Comissão Europeia apoia projectos de energia renovável (que não hidroeléctricas), e em todos os países onde haverá maior “aproveitamento hídrico” as barragens foram construídas há já várias décadas, quando não havia as preocupações ambientais que existem hoje.

Assim sendo, e centrando-nos no Tua, teremos uma barragem que irá contribuir com apenas 0,3% do consumo total de energia eléctrica nacional, necessitando para isso de um paredão de mais de cem metros de altura edificado na área de Património da Humanidade do Alto Douro Vinhateiro, que será ruinosa para as contas públicas e para as populações locais, que destruirá uma linha de comboio centenária de uma beleza incontestável, e tudo isto para quê? Para que o compadrio dos dirigentes da Capital com os líderes das grandes empresas continue, e que com o prejuízo de todos se consiga o lucro de alguns.

Ora, o Movimento Partido do Norte sempre assumiu a defesa da paisagem e dos recursos do Norte de Portugal como uma das suas prioridades. Queremos investimento local, de repercussões nacionais e internacionais, que traga emprego e qualidade de vida às populações. Queremos que essas populações tenham acesso a transporte público de qualidade, e que não sejam obrigadas a fugir para os grandes centros do litoral para garantirem a sua subsistência. Queremos que o interior passe a ser atraente, que as pessoas possam dizer “que bom é morar em Bragança, ou em Vila Pouca, ou em Moncorvo”. E nada disso é possível com o actual estado de coisas, em que uma barragem é mais importante do que tudo o resto.

Citando Aníbal Cavaco Silva, numa visita ao interior, “Por que é que nascem tão poucas crianças? O que é preciso fazer para que nasçam mais crianças em Portugal?”. Para começar, não seguir as suas políticas.

Nuno Gomes Lopes e António Pinto Bernardo, cabeças-de-lista do PDA pelos distritos de Bragança e Vila Real às Eleições Legislativas

Antes falei sobre os custos da inauguração, hoje falo sobre os custos da obra:

3.7 km
111.6 milhões (dos quais 72.7 em expropriações)
1600 famílias realojadas

Resumo do Zé Pinto.

Comentando notícias sobre eventuais 100 mil euros na inauguração deste troço, o governante sublinhou ter sido uma “informação interna, usada abusivamente, mas salientou que é necessário informar a população da obra.

No JN.

O governante é Paulo Campos, os 100 mil euros são para a cerimónia de inauguração da CRIL, em Lisboa. Se é necessário gastar 100 mil euros para “informar a população da obra”, ainda mais necessário é uma broca em partes sensíveis dos governantes e diretores de empresas públicas pela depradação das contas públicas. Ou fazer como os islandeses.

O dinheiro das SCUTS é mais importante para o Governo que as vidas Humanas . E os peões nunca deveriam ter prioridade numa estrada ! Os condutores tambem são peões e cedem a passagem a quem vai atravessar a estrada . CONFIRMO que muitos peões morrem porque querem ! porque vão a caminhar pela direita e atravessam de repente ; deviam ser multados por não circularem pela esquerda . Por vezes passo algum tempo a apreciar a travessia nas passadeiras e há peões sem cuidado algum e outros que até exageram nos mesmos cuidados . Mas o que mais tenho notado , é jovens a caminhar acelerados pela direita e fazem a perpendicular perfeita para a morte ; tenho pena dos condutores acusados sem culpa alguma ; ENTÃO PONHAM STOPS EM TODAS AS PASSADEIRAS !

Face à notícia “Nova contagem de mortos na estrada mostra aumento de 91% entre os peões“, o brilhante comentarista Ferrabráz faz a súmula possível. Por momentos ainda pensei que as mortes entre peões poderiam vir de assassínios na via pública (peões a matarem peões, atropelando-os); pelo que percebi, não. São peões que morreram atropelados por carros. Ferrabráz tem razão em tomar o lado dos condutores contra este aumento brutal de peões-suicidas.

(via)

Porque motivo não é o comboio mais popular e presente no dia-a-dia do país?

Desde 1995, olhando para a explosão na taxa de motorização da população (que duplicou, para cima da média UE15) e diminuição da ocupação dos automóveis (que passou para metade, abaixo da média UE15) sentimos a tentação de atribuir um qualquer factor cultural afecto ao nosso país quando na verdade este comportamento é somente o resultado de uma estratégia pública de duas décadas.

Fenomenal a síntese do camarada Nuno. O que fizeram ao comboio nos últimos anos em Portugal não se faz a ninguém.

* Ao invés das faraónicas ciclovias de lazer promovidas pelas Câmaras Municipais portuguesas, Zaragoza faz o exato contrário: gasta pouco (300.000 euros), mas poderá muito bem conseguir uma promoção do uso quotidiano da bicicleta em meio urbano substancialmente superior à dos seus congéneres portugueses. Porque construir ‘ciclovias de lazer’ ao longo das marginais, se não serve para estimular o uso quotidiano da bicicleta, tem o mesmo sentido que promover ginásios ou aulas de ginástica ao ar livre. Se o único objetivo é a promoção de uma prática desportiva saudável, há maneiras bem mais baratas de o fazer.

O que a notícia (aqui, aqui ou aqui) dá a entender é que os responsáveis da capital Aragonesa têm mais cabeça e mais tino na bolsa que os de cá. As entidades municipais têm vindo a promover a criação de uma rede de vias cicláveis na cidade, mas enquanto os ciclistas não surgem, decidiram reduzir a velocidade máxima de algumas vias para 30 km/h. Isto acontece em vias de sentido único, em parte das vias secundárias e na faixa da direita de outras vias secundárias com várias faixas de circulação que ainda não tenham faixa para bicicletas. O objetivo é simples: tornar as ruas mais amigáveis para peões e ciclistas. Menos infraestrutura, mais eficácia – é isso que fazem os da “Europa civilizada”.

* Tiro pela primeira vez em muito tempo o meu chapéu a Rui Rio:

O estacionamento ilegal nas ruas do Porto estará sob a mira da Câmara nos próximos três anos. O Município pretende rebocar, nesse período, mais de 40 mil automóveis e camiões e, para isso, vai procurar ajuda especializada no mercado dos reboques privados.

Mais aqui, ali e acolá (não se iludam pela quantidade, é tudo JN).

* Esta notícia em relação a Lisboa revela o mesmo problema, neste caso com carros impedindo a circulação dos elétricos. Uma boa notícia é a revisão das ‘coroas de estacionamento’, que permitem a diferenciação dos preços e tempos no estacionamento consoante a zona de Lisboa. Algo que aprendi no curso, e já lá vão bastantes anos: o estacionamento deve encarecer quando mais próximo do centro nos encontramos, assim como deve diminuir o tempo de estadia permitido.

* Tirei o meu chapéu a Rui Rio? Volto a colocá-lo na cabeça. A sua querida SRU, que tem tido um papel questionável na reabilitação do centro histórico do Porto, propõe um túnel de 957 metros de extensão para resolver ‘problemas de estacionamento’, entre a Rua das Flores e a Cordoaria. Na Póvoa fizeram o mesmo, com a mesma extensão, com semelhantes intenções. O estacionamento selvagem à superfície continua, o parque está invariavelmente vazio e a vontade dos poveiros de utilizar o carro para ir ao centro manteve-se (ou aumentou mesmo). Por favor, senhores da SRU, mais seriedade e profissionalismo e menos mediatismo nos vossos projetos.

* A Escola Básica Frei Caetano Brandão, em Braga, decidiu pôr os seus alunos a pedalar para a escola. Temos aqui uma boa ideia numa das piores cidades da região para o efeito.

O elevado número de rotundas e passagens aéreas bem como a grande quantidade de veículos que circulam nas imediações da Escola Básica do 2º e 3º Ciclos Frei Caetano Brandão vão atrasar a concretização do projecto “Sempre a pedalar, o ar vai ser melhor”.

(daqui)

O que Mesquita Machado conseguiu fazer nas suas várias décadas de reinado em Braga foi criar um paraíso para os peões no centro (digo ‘paraíso’ como exagero, porque o centro não é perfeito) e um inferno para os peões fora deste. Fora do centro histórico mandam os carros. Imagino que a taxa de motorização dos bracarenses nunca foi tão alta como agora.

Voltando à escola, esperam-se novas iniciativas semelhantes. E que Mesquita Machado e seus acompanhantes sejam depostos e respondam por gestão danosa.

Passei os olhos pelas wikis sobre democracia e não encontrei o que me interessava. Queria uma definição da “salvaguarda da diferença” na sociedade, mas a minha paciência não chegou para tanto. Isto porque defendo uma sociedade em que a diferença seja protegida (o que é ligeiramente diferente da ideia de alguns conservadores que acham que esta sociedade estimula grupos com comportamentos “divergentes”, como homossexuais ou artistas). A partir do momento que assumimos que diferentes somos todos, e “normal” é apenas a parte dos nossos comportamentos mais partilhada por todos, percebe-se que a sociedade que salvaguarda a diferença protege-nos afinal a todos.

Tanta introdução para tão pequena estória. Descia eu a Sacra Família pelo habitual sentido proibido quando um mui respeitável condutor acelerou à vista de uma família que atravessava a rua. Visão não de todo invulgar, concordo. São as ruas de Portugal. A família correu e tudo acabou em bem. Ao ver-me a mim, amedrontadamente encostado aos carros à minha esquerda, com as mãos emocionalmente aferradas ao volante da Gazelle e a revolta à solta, decidiu tentar mais uma “simulação de atropelamento”, método tão usual em prisões geridas por estado-unidenses. É certo que não me atropelou (simulou corretamente o atropelamento), mas manteve-me indignado por largas semanas.

Já te disse que andar de bicicleta é perigoso, repetiu o meu previdente pai. Sei bem que é perigoso. Afinal, respirar é perigoso. Se não o fizermos com método e afinco, morremos. E a frase do meu pai, apesar de recorrente, sobreviveu. Ora, vivemos (sobrevivemos) numa sociedade movida a automóvel, qual gasóleo não combustível. As alternativas praticáveis (pé, bicicleta, transporte público) medram à sombra do carro, até que algum dia possam assumir-se como maioritárias e hegemónicas, como nunca deveriam ter deixado de ser. Os problemas que estes modos de mobilidade enfrentam são os usuais: passeios estreitos para os peões (não é que concorde com a ideia de “passeio”, mas não é para já essa crónica), falta de lugar na via pública para a bicicleta, falta de investimento e de planeamento estratégico nos transportes públicos. Estes são, grosso modo, os obstáculos que cada um destes meios de locomoção tem de enfrentar. É claro que a loucura não tem lugar neste inventário.

Especificamente na ciclo-mobilidade, há uma vintena de fatores que desmobilizam qualquer utilizador de bicicletas a fazê-lo no dia-a-dia, como a pavimentação não adequada, falta de preparação dos condutores de automóveis, falta de adequação do desenho urbano às bicicletas, etc. A loucura dos condutores, não.

Isto é como dizer que não se pode praticar natação porque o nosso treinador pode querer afogar-nos intencionalmente. As ruas são nossas, são a nossa polis. Tomemo-las.

publicado há uns meses no blogue de antigamente

A construção da A41, da A32 e da A43, que ficarão prontas no decorrer do próximo ano, vão custar 900 milhões de euros. Só 400 milhões serão investidos em Gaia. O vice-presidente da Câmara diz que as obras “vão revolucionar as acessibilidades do concelho”.

Em Gaia, aparentemente, faltavam auto-estradas. No JN.

Texto da ACdP,

Foi recentemente anunciado pelo Governo, enquadrado no PEC, o adiamento de 2 anos das ligações ferroviárias de alta velocidade entre o Porto e Lisboa (de 2015 para 2017) e entre o Porto e Vigo (de 2013 para 2015) e reafirmada a vontade de introduzir portagens nas SCUT na Região Norte.

Uma vez mais, a Associação de Cidadãos do Porto (ACdP) afirma a sua compreensão para as dificuldades orçamentais que o País atravessa e a necessidade de controlo dos gastos públicos nos próximos anos, mas exige que o sacrifício seja extensível a todo o território e que não se verifique a inaceitável discriminação da Região Norte proposta neste documento.

TGV

Nos últimos dias tem vindo a público notícias sobre o possível lançamento do concurso para a linha de TGV Lisboa – Coimbra, como uma necessidade urgente, tendo em conta a possibilidade de se perderem os fundos comunitários para esta obra, caso o prazo para o seu início seja adiado.

Esta notícia vem ilustrar as nossas preocupações relativamente às intenções para a linha Porto-Vigo, uma vez que não existem notícias para o concurso para a ligação de Braga para a Galiza, cujo financiamento se encontra exactamente na mesma situação de risco. A forma como o processo está a ser conduzido pelo Governo, aumenta os receios da ACdP de que este adiamento seja apenas uma forma de preparar o cancelamento definitivo da Linha Porto-Vigo.

SCUT

Numa atitude francamente penalizadora para uma das regiões mais carenciadas da União Europeia, à imagem do que vem sucedendo com o permanente desvido de fundos do QREN para a Região mais rica do País sob o pretexto de um falso efeito difusor dos investimentos, o Governo prepara-se para introduzir portagens nas SCUT a Norte, a maior parte das quais percursos sem alternativas válidas.

Não compreendemos nem aceitamos que o sacrifício pedido não seja partilhado pelas Regiões mais ricas, como o Algarve, que continua a ter a Via do Infante gratuita, ou Lisboa que continua com a Ponte Vasco da Gama subsidiada através de um regime de IVA mais favorável que o das portagens das outras vias. Por uma questão de equidade, exige-se que todas as SCUT sejam portajadas, sem excepção, incluindo os troços gratuitos da A16 (concessão
Grande Lisboa) e da A8 (Oeste).

A Associação de Cidadãos do Porto (ACdP – www.acdporto.org) é um movimento apartidário, que tem como único propósito a defesa dos interesses colectivos da Área Metropolitana do Porto e da Região Norte. A ACdP assume-se como uma plataforma de debate, de apresentação de propostas e de acção efectiva, onde através da congregação e mobilização de esforços e vontades, os cidadãos da AM Porto e Norte poderão voltar a ter uma palavra a dizer sobre o seu Futuro.

infografia aqui do Gomes.

três

(aqui grande)

E assim se começa uma parceria.

* 14 razões para a Preservação do Património do Vale do Tua.

* Toda esta cena é infeliz. Compreendo que Maria José Nogueira Pinto seja uma snob ‘da linha de Cascais’ que inventa palavras como ‘adqüirem’ (a fazer lembrar os bíblicos ‘contéudos’ de António Vitorino). O que não lhe reconheço é a legitimidade para insultar indiscriminadamente outro deputado, e logo eles que são membros de um órgão de soberania como a Assembleia da República. Não especialmente elegante a resposta de Ricardo Gonçalves, que apesar de tudo toca num ponto sensível: a ideia de ‘capital’ como direto oposto de ‘província’, ainda profundamente enraizada na sociedade portuguesa.

* É claro, a Póvoa tem de antecipar as vagas inumeráveis de migrantes oriundos de ilhas devastadas pelas mudanças climatéricas. Milhares de migrantes!, aviso-vos. Agora a sério, tanto prédio para quê?

Câmara da Póvoa aumenta índices de construçãopara [sic] ter mais prédios nas áreas de expansão da cidade

No Público.

* Em Gondomar volta a política de grande calibre. A ideia mirabolante de Valentim Loureiro de concentrar em si a maior parte das competências na área do urbanismo teve um acrescento de delírio com a votação da mesma proposta (rejeitada anteriormente em reunião da Câmara) aproveitando a ausência de dois vereadores do PS. Para além de desleal, a votação de questões não previstas na ordem de trabalhos é ilegal. Onde há Valentim não há lei, parece-me.

* Como muito bem apontado pelos amigos do menos1carro, uma medida simpática da Câmara de Almada foi totalmente cilindrada por esta reportagem do ‘nós por cá’. A plantação de árvores fora dos passeios é de louvar: para além de poupar espaço aos peões, ajuda à redução da velocidade dos carros. Isto, claro, acompanhado de sinalização horizontal e alguma sinalização vertical. É o efeito ziguezague.

O ‘nós por cá’ optou pela total ridicularização da questão, apostando em transmitir sem critério a opinião dos passantes, por mais parvas que soassem. O programa pode por vezes tocar em pontos sensíveis, mas se se deixa encantar pela sua própria prosápia, repetindo avulsamente o tom jocoso e a música parva e falando apenas com um dos lados da questão, perde objetividade. E filmarem carros em cima do passeio como uma paisagem natural e as árvores na via como extravagâncias é ser-se estúpido. Ou tratar os espetadores como estúpidos.

* Nada de novo na CP. Horários de inverno, mais transbordos. Caricato é perceber que é a própria CP a reconhecer que não consegue fazer melhor:

[...]

O presidente da empresa, Cardoso dos Reis, está consciente desta realidade. “A lógica da CP dividida em unidades de negócio, no sentido da privatização, levou a que estas trabalhassem de forma autónoma”, reconhece. Mas, aparentemente, não consegue resolver o problema. “As forças integradoras não conseguiram fazer vingar uma perfeita coordenação entre elas”, disse ao Público.

No Público, via ComboiosXXI.

O Bloco de Esquerda defende que o vereador da Câmara de Odivelas que se despistou no domingo na A9 com uma viatura camarária, apresentando uma taxa de alcoolemia acima do permitido, deve demitir-se do cargo.

[...]

Contacto pela Lusa, o vereador Hugo Martins, que assumiu a vereação em Novembro passado, depois das eleições autárquicas, reiterou que “os factos não correspondem nem de perto nem de longe à verdade”, e que só irá “esclarecer tudo nas instâncias próprias”, tal como já dissera anteontem ao JN.

No JN.

* Independentemente de os projetos estarem bem ou mal feitos, a implantação de ciclovias em Portugal irá ser assim durante muitos anos. Até que se perceba que dar direitos aos utilizadores de bicicletas significa (naturalmente) tirar direitos aos automobilistas.

* O meu ligeiríssimo comentário às eleições autárquicas acabadas de realizar:

-Hoje em dia já toda a gente tem carro, as pessoas já não precisam de transportes públicos e isso é um sinal de que o concelho está desenvolvido.

É este género de trogloditas que irão mandar nas nossas câmaras durante os próximos quatro anos. Via menos1carro.

* Gosto destas pequenas notícias, desta vontade indizível de muita gente que começa a desabrochar por aí. Em Arenys de Munt, na Catalunha, 96% dos votantes num referendo local declararam-se a favor da independência do Principado. Sem efeito legal, sem grande expressão (69% de abstenção), mas com uma ideia clara: “que a Catalunha seja um Estado soberano, social e democrático integrado na União Europeia”. Não tenho dúvidas que uma Catalunha independente, do Carxe a Perpinyà, seria infinitamente mais democrática que o atual Estado espanhol.

Claro que chegaram os fascistas e tentaram armar confusão. O que se há de fazer.

O Expresso, transcrevendo certamente uma notícia da Lusa, chama a Arenys ‘uma aldeia’. Curiosa esta aldeia de 8000 habitantes, que por acaso é um município metropolitano. Curiosa.

* Quando me vejo preso nas filas de entrada no Porto, em frente ao Norteshopping, penso sempre, á, se eles pusessem mais faixas, se eu fosse um passarinho, se a minha avó tivesse rodas era um camião tir, etc. Agora é óbvio que a absurdidade destes pensamentos não me acompanha durante muito tempo. Se a minha avó tivesse rodas não seria um camião tir – quando muito seria uma bicicleta. Não sou um passarinho, por muito que me custe aceitar isso. E não é por existirem mais faixas que se reduz o trânsito. Quando se aumenta o número de faixas aumenta-se o trânsito de veículos a circular. O que é muito simples de compreender: aumentando o número de faixas, o número de auto-estradas, o números de lugares em parques de estacionamento, aumenta-se a expectativa. A partir de agora, quando alguém pensar em ir para o Porto de carro usando a A28 não hesita tanto. E vai mesmo de carro. Daqui a uns meses entope outra vez. E mesmo que não entupa, o mal está feito – o número de carros a entrar no Porto diariamente vai aumentar.

Claro que os senhores políticos, que de raciocínios não são grandes fãs, pensam ao contrário. E a senhora jornalista, que transcreve o que os políticos lhe dizem, não pensa.

Nova saída da A28 vai reduzir trânsito em 20%

Via permitirá chegar ao Norteshopping sem ir à Rotunda dos Produtos Estrela

Os futuros acessos do IC1/A28 ao concelho de Matosinhos, a construir no âmbito do alargamento da via, vão reduzir o trânsito para a Rotunda AEP em cerca de 20%. A obra começa no início do próximo ano.

(…)

No JN.

* Relatório Final da ‘Petição pela Linha do Tua Viva’

Via linhadotua.net

* Tua não, mas Tâmega e Corgo parece que sim:

Primeiras obras de reabilitação das linhas do Corgo e do Tâmega prestes a arrancar

A secretária de Estado dos Transportes preside terça-feira, em Vila Real, à cerimónia de consignação da obra de requalificação da linha ferroviária do Corgo, que representa um investimento de 23,5 milhões de euros. A Linha do Corgo, que liga os concelhos de Vila Real, Santa Marta de Penaguião e Peso da Régua, foi fechada em Março por razões de segurança.

Ana Paula Vitorino regressa a Vila Real na terça-feira para a consignação da empreitada, podendo as obras iniciar-se de imediato com vista à reabertura da via em Setembro de 2010. O calendário estabelecido entre os autarcas dos três concelhos e a secretária de Estado, no dia 30 de Março no Governo Civil de Vila Real, definia que seriam efectuados estudos preliminares em Junho nos 26 quilómetros de ferrovia e que a empreitada das obras começaria em Julho.

Também na terça-feira, mas em Amarante, a titular da pasta dos Transportes participa na consignação, por parte da Refer, da primeira empreitada de requalificação da Linha do Tâmega, num valor de 2,47 milhões de euros. No total, a Refer vai investir 14 milhões para conseguir reabrir, com as todas as garantias de segurança, esta linha entre Livração e Amarante, o que se prevê que aconteça em 2011.

As linhas do Corgo e do Tâmega foram encerradas em Março pela Refer, por falta de segurança para a circulação.

No Público.

* Convenceram as populações que era através de estradas que se atingia o desenvolvimento. Daqui a quinze anos, quando tudo estiver na mesma, gostava de saber qual a invenção seguinte. A solução única, neste momento, é furar a Serra da Estrela:

52 milhões para entrar na serra
Variante de Tábua e troço do IC 6 em Setembro

O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, visitou ontem, quarta-feira, as obras de construção da variante de Tábua e do IC-6, tendo considerado os dois trabalhos como uma forma de “atrair investimento, diminuir a sinistralidade e combater a crise”. (…)

No JN.