Posts tagged: bicicleta

Cidadão multimodelo

By Nuno Gomes Lopes, 21 de Fevereiro de 2011 12:50

A mobilidade é uma necessidade dos dias que correm. O que mais me apoquenta é ver (já) várias gerações de políticos a negarem-nos a multiplicidade de opções e atirarem-nos para a monomodalidade: o carro. Que é coisa que me aborrece. Elenco:

pedonal – todas as deslocações na Póvoa em dia de chuva e nos meus destinos (depois de lá chegar noutra modalidade de transporte);

bicicleta – todas as deslocações dentro da Póvoa; parte das deslocações a Vila do Conde (tirando dias de chuva e à noite); parte das deslocações dentro do Porto (transportando a bicicleta no metro);

ferroviário – de metro até ao Porto; de metro dentro do Porto; de comboio para o Sul; há uns anos, Linha do Douro até Foz Côa, onde trabalhei; por mais de uma vez fui à Galiza de comboio (viagem supermultimodal);

rodoviário (autocarro) – por vezes faço experiências (infrutíferas) para me deslocar para Este e Norte da Póvoa de autocarro; no Porto, nos STCP;

avião – estrangeiro, para lá de Barcelona;

carro – tudo o resto.

Democracia é também variedade de opções. Na mobilidade, cada vez mais somos uma sociedade num só sentido. Tenho a sorte de ter um carro, assim posso ver os meus amigos amiúde, namorar e trabalhar no Porto. A região está toda ela montada para ser facilmente acessível de carro – todas as outras modalidades de transporte exigem um planeamento aturado, e parte das vezes retorna-se ao carro como a única possibilidade de deslocação.

A bicicleta, com ou sem a integração ferroviária, é o meu modo de transporte preferencial. Na parte de trás montei-lhe uma caixa da fruta de plástico que me serve de mala para compras mais volumosas. A campainha é essencial. Ando a alternar entre luzes da frente e de trás, sempre a partirem-se e a soltarem-se. Tenho de lhe adicionar mais refletores. Não uso capacete.

Conduzo uma gazelle, bicicleta sem mudanças, bastante pesada. Uso-a na Póvoa, terra plana, e pelos declives do Porto. Tenho 30 anos, sempre fui fraco atleta, mas nunca me senti tão saudável e tão capaz fisicamente.

Texto escrito ontem à noitinha a pedido do Herr Barbot, gajo tão ou mais maluco do que eu.

Panorama Theme by Themocracy