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Trinta de abril de dois mil e onze

By Nuno Gomes Lopes, 30 de Abril de 2011 14:34

Aumento do preço dos transportes: o caro sai ainda mais caro

O aumento dos preços dos transportes não é apenas socialmente insustentável. É economicamente irresponsável. Parece que vamos poupar, mas a decisão trará prejuízo. Cinco consequências óbvias:

1 – Desencoraja os cidadãos a usar os transportes públicos, daí resultando a continuação da utilização do transporte individual, que, para além de exigir a manutenção de infraestruturas mais caras, aumenta a nossa dependência energética. Consumir menos energia um imperativo económico (e ambiental). E transportes coletivos acessíveis são condição para esse objetivo nacional.

2 – Transportes coletivos mais caros aumentam os custos da distância, reduzem a competitividade de regiões mais isoladas, aumentam a pressão sobre os grandes centros urbanos e contribuem para o desordenamento do território. Os efeitos não se medem apenas em custos sociais – pobreza, segurança, saúde publica – que o Estado terá de pagar. Os efeitos económicos são profundos e duradouros.

3 – Mais carros nas ruas é mais engarrafamentos e mais tempo perdido. Mais tempo perdido tem efeitos na produtividade. Se o argumento da qualidade de vida dos cidadãos já não chega, que se tenha em conta este.

4 – Transportes mais caros aumentam os custos do trabalho. Ou ele se reflete nos salários – porque é mais caro ir trabalhar – ou, na ausência de poder negocial, esse custo é transferido para o trabalhador. Mas, seja quem for que pague, não deixa de ser um aumento do custo da mão de obra.

5 – Aumentando esta despesa – que para quem trabalha ou estuda não é dispensável -, reduz-se o dinheiro disponível para as famílias poderem poupar, agravando assim o nosso endividamento externo crónico.

Daniel Oliveira, por dica do Zé Pinto.

Doze de julho de dois mil e dez

By Nuno Gomes Lopes, 12 de Julho de 2010 0:35

-BPN: nacionaliza-se; água: privatiza-se.

-BCP: ocupa-se; EDP: entrega-se.

-SCUT: não se paga; RTP: paga-se.

-Estádios de futebol: constroem-se; escolas: fecham-se.

-PT: protege-se, em nome do interesse nacional; Paisagem Protegida: urbaniza-se, em nome do interesse nacional.

-Língua: vende-se aos brasileiros; brasileiros: perseguem-se.

-Espanhóis: parceiros estratégicos no TGV e na TVI; espanhóis: inimigos estratégicos na PT.

-Dinheiro para o país: não há; dinheiro para a Madeira: sobra.

-7000 milhões para a Vivo: pouco; 7000 milhões para o PIB: imenso, mais 10% de carga fiscal.

-TAP arruinada: mete-se dinheiro; TAP recuperada: vende-se.

-Desempregado crónico: subsidia-se; jovem desempregado: exila-se.

-Empregado efectivo: não se pode despedir; empregado a prazo há mais de 18 meses: despede-se.

-Marinha mercante e de pesca: liquida-se; submarinos: compram-se.

-Agricultura: paga-se para fechar; campos de golfe: paga-se para abrir.

E etc., etc., etc. Por favor, entendam-se, que já vai sendo tempo.

Miguel Sousa Tavares sabe escrever e articular um texto. Ninguém duvidará disto, parece-me. O seu nível inteletual, por outro lado, parece neste fim de crónica no Expresso o de um qualquer participante de uma caixa de comentários. Sem gralhas, mas igualmente sem cérebro.

A ignorância é uma bênção 4

By Nuno Gomes Lopes, 15 de Abril de 2010 18:59

Agora, a população diz que vai a Tuy, em Espanha, logo ali ao lado e onde dizem que são recebidos a qualquer hora e sem sequer pagar taxas moderadoras. Agradecidos, hastearam bandeiras espanholas na vila e dizem que só voltam a ser portugueses quando reabrir o serviço nocturno do SAP. Eu, que dou ao meu país 60% do que ganho a trabalhar, em impostos directos e indirectos, tenho um recado para os de Valença: por favor, continuem espanhóis.

Miguel Sousa Tavares, no Expresso.

Tenho lido artigos inteiros que omitem Espanha numa questão que, de facto não a envolve (tirando a sua bandeira). Os valencianos, com o fecho do SAP do seu Centro de Sáude, começaram a recorrer aos serviços do Centro de Saúde de Tui, geridos pela Sergas (Serviço Galego de Saúde). Nesta questão não entra a Espanha, tirando as bandeiras hasteadas para o protesto.

Miguel Sousa Tavares decide falar em Espanha para referir Tui, o que, só por si, não mereceria a minha atenção. Mas refere-se ao nome dado pelos espanhóis à terra, sem qualquer valor real atual e aparecendo em pouco mais do que a Wikipedia em castelhano. Para qualquer serviço de Madrid o nome agora é Tui, sem mais. Um exemplo. Por Portugal, por preguiça ou apenas por falta de vontade de reconhecer que existem populações do Reino de España que não têm o castelhano como língua nativa, insiste-se no erro. Como no horário das ligações internacionais a Vigo, da CP.

Vinte e nove de novembro de dois mil e nove

By Nuno Gomes Lopes, 29 de Novembro de 2009 17:23

Estamos a estudar a possibilidade de a linha ir até ao Aeroporto Sá Carneiro e a hipótese de servir Gaia, que é a terceira maior cidade do país, com 700 mil habitantes. Vamos ver como pode ser feita uma estação em Gaia.

Carlos Correia da Fonseca, Secretário de Estado dos Transportes. No Expresso.

Atualizações 1/10/09

By Nuno Gomes Lopes, 2 de Outubro de 2009 1:16

* Gosto destas pequenas notícias, desta vontade indizível de muita gente que começa a desabrochar por aí. Em Arenys de Munt, na Catalunha, 96% dos votantes num referendo local declararam-se a favor da independência do Principado. Sem efeito legal, sem grande expressão (69% de abstenção), mas com uma ideia clara: “que a Catalunha seja um Estado soberano, social e democrático integrado na União Europeia”. Não tenho dúvidas que uma Catalunha independente, do Carxe a Perpinyà, seria infinitamente mais democrática que o atual Estado espanhol.

Claro que chegaram os fascistas e tentaram armar confusão. O que se há de fazer.

O Expresso, transcrevendo certamente uma notícia da Lusa, chama a Arenys ‘uma aldeia’. Curiosa esta aldeia de 8000 habitantes, que por acaso é um município metropolitano. Curiosa.

* Quando me vejo preso nas filas de entrada no Porto, em frente ao Norteshopping, penso sempre, á, se eles pusessem mais faixas, se eu fosse um passarinho, se a minha avó tivesse rodas era um camião tir, etc. Agora é óbvio que a absurdidade destes pensamentos não me acompanha durante muito tempo. Se a minha avó tivesse rodas não seria um camião tir – quando muito seria uma bicicleta. Não sou um passarinho, por muito que me custe aceitar isso. E não é por existirem mais faixas que se reduz o trânsito. Quando se aumenta o número de faixas aumenta-se o trânsito de veículos a circular. O que é muito simples de compreender: aumentando o número de faixas, o número de auto-estradas, o números de lugares em parques de estacionamento, aumenta-se a expectativa. A partir de agora, quando alguém pensar em ir para o Porto de carro usando a A28 não hesita tanto. E vai mesmo de carro. Daqui a uns meses entope outra vez. E mesmo que não entupa, o mal está feito – o número de carros a entrar no Porto diariamente vai aumentar.

Claro que os senhores políticos, que de raciocínios não são grandes fãs, pensam ao contrário. E a senhora jornalista, que transcreve o que os políticos lhe dizem, não pensa.

Nova saída da A28 vai reduzir trânsito em 20%

Via permitirá chegar ao Norteshopping sem ir à Rotunda dos Produtos Estrela

Os futuros acessos do IC1/A28 ao concelho de Matosinhos, a construir no âmbito do alargamento da via, vão reduzir o trânsito para a Rotunda AEP em cerca de 20%. A obra começa no início do próximo ano.

(…)

No JN.

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