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Atualizações ferroviárias 1/8/10

By Nuno Gomes Lopes, 1 de Agosto de 2010 21:18

* Apesar de a obra prevera eletrificação do troço Bombel e Vidigal a Évora, renovação das vias, beneficiação de estações e construção de passagens desniveladas, num investimento de 48,4 milhões de euros” (via), todagente está contra ela – afinal de contas, implica o encerramento da via durante um ano, e a substituição do serviço ferroviário de qualidade prestado pelo Intercidades por uma qualquer camioneta. Insegura, desconfortável, sujeita a atrasos. A ideia de que a obra seria feita por fases não é novidade, pois foi anunciada assim desde o início, mas se alguém conseguir explicar-me qual o sentido de modernizar a linha até Évora, levar até lá o Intercidades, fidelizar clientes e depois fechar a linha durante um ano, eu agradecia o esclarecimento. É denotador de um nível de incompetência ao melhor nível – alinhado com os maiores incompetentes do mundo. Refer, Cp, o nome já não interessa. Mas já que se fala em Cp, o que dizer do facto de a estação ‘Évora’ ter desaparecido da sua base de dados? Podem verificar na página a desfaçatez. Aqui mais info.

* O milagroso estudo de 380 mil euros (noticiado aqui antes) que serviria para “melhorar a oferta ferroviária a nível nacional da Cp”, e que seria aplicado em Dezembro, perdão, em Abril, ainda não foi aplicado, e no Público (aqui o jpg) especula-se se alguma vez verá a luz do dia. Eu sigo cada vez mais fascinado com os comboios suíços. Que beleza.

* Perez Babo mostrou, em conferência na UM, que as soluções para a mobilidade no Minho têm de passar pelos caminhos-de-ferro, defendendo, entre outras coisas, a ligação ferroviária entre Braga e Guimarães.

* A variante da Linha do Minho na Trofa abre dia 16 de agosto. Tirando o erro claro de planeamento (a nova estação afastou-se do centro da Trofa – o modelo de Espinho faria bem mais sentido), há que louvar a passagem de uma para duas vias, e a nova estação, moderna e (espera-se) funcional. O titulo de ‘estação mais feia a norte do Douro’, esse ninguém lhe tira. Fica a faltar apenas a ligação ISMAI-Trofa (sem traçado de metro de superfície, espero) para a Trofa se transformar na Munique do noroeste peninsular.

A partir de agosto a Cp perde a desculpa para não melhorar as ligações da Linha do Minho e seus ramais ao Porto. Amigo reinvidicativos, força aí.

* As SCUT (autoestradas Sem Custo para o UTilizador) poderão ou não avançar, com isenções concelhias ou não, apenas no norte e centro ou em todo o lado. Todos falam da injustiça, da inconstitucionalidade, do terrível negócio que João Cravinho inventou. Muito poucos falam do real tutano do tema, a mobilidade. As grandes deslocações a baixo preço providenciadas pelas SCUT desarrumaram o normal arranjo casa / trabalho de muitas regiões. Morar a mais de 30 kms do sítio onde se trabalha (diariamente) não é lógico, mas o trinómio carro (com crédito fácil) + combustível (baratito) + autoestradas (se for SCUT, grátis) ajuda a montar deslocações mirabolantes. Deverá haver gente a fazer 50 km + 50 km todos os dias.

Mobilidade não é apenas uma questão rodoviária, mas também rodoviária. Nas distâncias a que dizem respeito a utilização das SCUT (+15 kms ?), a ferrovia tem de ter um papel crucial. E não podem existir eixos com autoestrada que não tenham ferrovia. Se existe a necessidade de uma autoestrada, tamanha procura de mobilidade tem de justificar também outros modos de transporte. O Público tratou o tema das SCUT como “uma grande oportunidade para o transporte público”. De uma forma deficiente, é certo (as várias camadas do mapa estavam descentradas, tornando-se por isso impossível comparar a oferta rodo/ferroviária de determinados eixos), mas com boa vontade.

* A classificação da Linha do Tua como Património de Interesse Nacional pode bem ser o ovo de Colombo para evitar o fecho da linha, inevitável se a barragem de Foz-Tua avançar no atual formato. Assim diz a lei – neste caso, retroativa no que toca a contratos firmados. A Ministra da Cultura, a quem caberia a defesa dos bens de interesse cultural, diz que não é uma Classificação que salvará a Linha do Tua das águas da barragem, invocando para isso exemplos anteriores. Ora,

Primeiro, não são os erros anteriores que justificam erros do futuro. E o Património não é todo igual. A Linha do Tua, para além do fator patrimonial, tem também um fator utilitário, quiçá mais relevante.

Segundo, como reagiria a Ministra se o Mosteiro dos Jerónimos (em Lisboa, recorde-se) tivesse a sua estabilidade ameaçada pela construção de um túnel? É este o tipo de raciocínios que somos obrigados a formular ao percebermos o desprezo e leviandade com que o Governo sediado em Lisboa trata as questões da ‘província’.

* Algo que me deixou verdadeiramente abalado, não pela grandeza do acidente mas pelo lugar onde ocorreu (e a forma, também), foi a destruição causada pela passagem de um comboio de mercadorias em Válega, concelho de Ovar. Não vou usar a palavra ‘descarrilamento’ porque não me parece apropriado para o que aconteceu, que foi a cedência da superestrutura da via à passagem de uma composição. Isso causou o ‘descarrilamento’ dos vagões, que por sua vez abateram a catenária e causaram a interrupção da linha durante algumas horas.

Voltando ao início, este acidente não ocorreu em alguma via do interior esquecida (vide Tua), dedicada apenas a Regionais e sem manutenção garantida. Este acidente ocorreu na principal via ferroviária do país, num dos troços com mais utilização. E ocorreu porque o atual primeiro-ministro, ao tomar o poder, decidiu cancelar os investimentos na Linha do Norte até que chegasse a Alta Velocidade. O troço entre Ovar e Gaia está podre, desfeito, roto, kaput. Percebe, senhor Primeiro-Ministro?

Atualizações ferroviárias 9/7/10

By Nuno Gomes Lopes, 10 de Julho de 2010 0:47

* Entre tantas outras perdas justificadas pela crise, o projeto de modernização da Linha do Douro sofreu mais um revés com a anulação do concurso de eletrificação entre Caíde e o Marco de Canaveses, que permitiria o fim do transbordo em Caíde. Já com expropriações feitas e casas demolidas. No Marco fala-se de negócios que não avançam pelo adiamento da modernização da ferrovia, fala-se de uma empresa que tem 50 camiões a circular todos os dias cujas mercadorias poderiam circular por comboio, fala-se de uma plataforma logística e de um terminal rodoviário que não avançam. Reais ou imaginários, estes investimentos ficam definitivamente no papel sem o investimento público de renovação da linha.

O que não avança mesmo, mas mesmo mesmo mesmo, é a prometida ‘modernização’ / reabertura das linhas de via estreita do Douro (Tâmega, Corgo e Tua) e da linha entre a Pampilhosa da Serra e a Figueira da Foz. A única obra que realmente avançou foi a retirada de carris nas Linhas do Tâmega e do Corgo. Irónica decisão esta, de se fechar uma linha para renovação e a única obra que avança é a retirada de carris. Irónica. Entre a Covilhã e a Guarda também a linha fechou, em 2009. Estima-se a reabertura para 2012, mas aparentemente os trabalhos acontecem “espaçados”.

A única real novidade poderá ser a introdução de comboios alugados à Renfe. À falta de melhor, resta-nos o ar condicionado.

* Mais concretamente no Tua, os amigos da MCLT noticiam a vontade de um grupo de personalidades em classificar “a Linha Ferroviária do Tua como Património de Interesse Nacional“, e a vontade do Bloco de Esquerda em travar a barragem do Tua, salvaguardando assim a manutenção da via férrea. O ministro das Obras Públicas (e etc.), António Mendonça, numa manobra inédita de malabarismo, faltou à reunião marcada por ele próprio no Parlamento, a pedido do PEV, fazendo-se representar por figuras menores do ministério e do partido. Acabou a vergonha, parece-me.

A EDP segue o mesmo caminho de, impunemente, fugir às suas responsabilidades. Que no caso da Linha do Tua a obrigavam a repor a circulação ferroviária após a conclusão da barragem. Como a barragem destruiria o troço inicial da linha, a alternativa seria sempre a de construir uma linha nova (16 kms), em túnel ou não. O preço estimado, entre 130 e os 140 milhões de euros, é segundo a EDP “muito desproporcionado face aos benefícios expectáveis“. De repente, a EDP passou de empresa responsável pela construção de uma barragem a ‘interpretadora’ de cadernos de encargos. Onde se lia ‘obrigação’, a EDP leu ‘possibilidade’. Espero que os tribunais ajam em conformidade.

Para rematar o teatro de horrores, falam de autocarros e barcos para substituir o comboio. Eu sugeriria também zepelins e motos-quatro.

*O plano de investimentos da Refer para 2010, que começou por ser considerado um dos mais avultados dos últimos anos, acabou por passar dos 800 milhões previstos para 200 milhões. Para além das obras já em curso (entre Bombel e Évora, e as variantes de Alcácer do Sal e da Trofa), pouco mais será feito, e grandes projetos como a renovação da Linha do Douro até à Régua (já referido anteriormente), da Linha de Cascais e do Oeste, ficam adiados.

* Descubro via A Nossa Terrinha a intenção gorada da Refer em reconstruir um troço desativado entre Setil e Rio Maior, e a construção de um troço novo entre esta e as Caldas da Rainha, conseguindo assim uma ligação entre a Linha do Norte e a Linha do Oeste. Esta não é certamente uma obra prioritária. Se bem que é importante ligar as Linhas do Norte e do Oeste com corredores este-oeste, mais importante ainda é a renovação da referida Linha do Oeste. Essa sim é a obra importante para a região, e é nessa que deve centrar-se a energia reivindicativa.

* António Alves, com inusitada sageza, demonstra tintim-por-tintim o que devemos exigir ao Governo caso as SCUT do Norte sejam realmente portajadas:

1: Renovação e electrificação da Linha do Minho até Viana; numa segunda fase até Valença já que não vai haver nova linha de ligação à Galiza;

2: Quadruplicação imediata da via entre Ermesinde e Contumil;

3: Recuperação efectiva da Linha de Leixões para o tráfego de passageiros de modo a ser possível efectuar comboios de Campanhã a Leixões; construção de interfaces desta via com o Metro do Porto (de Leixões a Campanhã existem 6 pontos de contacto entre os dois sistemas); início do processo para projecto que prolongue esta via até Leça da Palmeira e a ligue ao Aeroporto;

4: Renovação imediata do troço da Linha do Norte entre Ovar e Vila Nova de Gaia, aquele que apesar de ser um dos de maior intensidade de tráfego se encontra em condições de exploração e segurança verdadeiramente terceiro-mundistas;

5: Renovação da Linha do Vouga e sua integração no sistema da CP Porto;

6: Renovação da Linha do Douro até Barca D’Alva e reactivação da ligação a Vila Real; a electrificação até à Régua deve avançar imediatamente;

7: Renovação imediata da encerrada Linha do Tâmega e sua integração no sistema da CP Porto;

8: Desnivelamento das passagens para peões nas estações da Linha de Metro Senhora da Hora – Póvoa para ser possível aumentar a velocidade de passagem das composições sem paragem (Expressos) e consequentemente diminuir o tempo de percurso;

9: Prolongar a Linha Trindade-Póvoa até Esposende e transformá-la definitivamente num sistema tram-train suburbano; recuperar a antiga ligação Póvoa-Famalicão que faz parte deste sistema;

10:Construir uma ligação ferroviária entre Barcelos, Braga e Guimarães;

11: Renovação e reabertura imediata da Linha do Tua.

Eu não o escreveria melhor.

* Se a notícia é boa (eliminação da totalidade das passagens de nível no concelho de Viana do Castelo), a formulação é atroz:

Viana do Castelo vai ser o primeiro município do país sem passagens de nível

Assim, de repente, vou enunciar três concelhos no país sem passagens de nível: Melgaço, Bragança, Castro Daire.

Atualizações (metro do Porto) 22/2/10

By Nuno Gomes Lopes, 22 de Fevereiro de 2010 18:58

* Durante algum tempo discutiu-se entre a Linha do Campo Alegre e a Linha da Boavista, à procura da melhor hipótese para ‘descongestionar’ o troço ‘congestionadíssimo’ entre a Senhora da Hora e o Estádio do Dragão, através de uma linha a poente entre o centro do Porto e Matosinhos. Nunca alinhei na ideia de que existia um ‘congestionamento’ entre a Senhora da Hora e o Dragão (e, mesmo que existisse, isso não era necessariamente uma coisa má, mas antes um sinal de grande popularidade do metro do Porto). E construindo a tal ‘linha poente’, a ideia seria sempre a de trazer mais clientes para o metro e, assim, contribuir para esse tal ‘congestionamento’. Sempre preferi a Linha da Boavista por ser a mais simples e barata de construir, mas também reforcei sempre que num futuro próximo ambas as linhas irão estar naturalmente em funcionamento.

Durante parte da discussão da Linha do Campo Alegre, perdi o meu tempo a explicar que a linha projetada era em grande parte à superfície, o que se verificou ser verdade. Quando os partidários da Linha do Campo Alegre o perceberam, moveram mundos e fundos para que isto não acontecesse (incluindo criando uma comissão de acompanhamento). Contrariando o que seria lógico, a metro acedeu a enterrar a Linha em grande parte do percurso (incluindo numa via que ainda nem existe, a Avenida Nun’Álvares) e a deixá-la à superfície no cruzamento com elementos naturais (na ribeira da Granja e no Parque da Cidade). É óbvio que o cruzamento com a ribeira teria de ser feito à superfície; não digo o mesmo em relação ao Parque da Cidade. E o que dizer de enterrar o Metro na Rua de Diogo Botelho (suficientemente larga em grande parte do seu percurso), na Avenida Nun’Álvares (ainda por edificar e, por isso, de ‘largura suficiente’) e na Rua de Brito Capelo (que no seu troço ainda sem metro tem sensivelmente a mesma largura do troço que já tem metro)? A desculpa mais utilizada por presidentes de Juntas de Freguesia e comissões de acompanhamento foi de que, enterrando o metro, evitava-se conflitos com o trânsito automóvel. A mim tudo isto me soa mirabolante. Claro que nunca apoiaria que o metro cruzasse a VCI de nível, ou que passasse no centro histórico do Porto à superfície. Ambas são destituídas de sentido. Mas em todas as outras zonas em que a largura das vias o permite, por que não? O metro não foi pensado para favorecer o trânsito automóvel.

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(projeto atual de expansão do metro do Porto)

Agora que os partidários da Linha do Campo Alegre conseguiram a sua linha (parcialmente) enterrada, entrou-se num novo nível de discussão. Já que foi descartada a hipótese de atravessar o Parque da Cidade no viaduto existente (sem qualquer razão válida, já que o viaduto foi de facto projetado para isso), agora discute-se um atravessamento à superfície, um rasgão que cortará o Parque em dois. No Estudo de Impacto Ambiental a hipótese túnel nem foi explorada (!?), e já que se concluiu que a passagem à superfície é a mais económica, a decisão parece tomada. Ou não. Agora a metro diz que é a Câmara que decide. Rui Rio prefere enterrado. Que confusão. O período de consulta pública acaba hoje, todas as sugestões são bem-vindas.

Paulo Pinho, que sustentava o plano original da segunda fase do metro, com uma linha circular bem desenhada, a passagem na Avenida da Boavista, etc., voltou à carga na defesa da sua bela-dama:

paulopinho

(proposta anterior, de Paulo Pinho)

Estou com ele nesta demanda.

* No prolongamento para sul do metro já ninguém rebate a construção de uma avenida paralela ao metro antes da sua chegada a Vila d’Este. Nem se criam comissões de acompanhamento.

*Novidades para este, na Linha de Gondomar 1.

* Noutra frente (norte), ainda não se verificaram mudanças de tempo de viagem entre a Póvoa e o Porto, mesmo depois da chegada dos tram-train rapidíssimos e mesmo depois dos novos horários. Agora fala-se de deficiências na sinalização, e um passarinho segredou-me ‘deficiências na rede elétrica’. Cá pela Póvoa e Vila continuamos à espera. Por razões de juventude dos veículos ou das tais falhas na rede elétrica, os tram-trains andam mal. Melhorias, para já, apenas no conforto e no aumento dos lugares disponíveis, o que se aplica a toda a rede, já que os veículos antigos que circulavam para a Póvoa são agora utilizados nas outras linhas, o que aumenta a capacidade instalada.

* Para terminar, uma notícia que me parece consensualmente positiva. O andante passa a poder acumular viagens de distâncias diferentes (Z2+Z6, por exemplo). Fica a faltar a introdução de viagens Z1 para o sistema tarifário do Grande Porto ir ao sítio.

Atualizações 6/1/10

By Nuno Gomes Lopes, 6 de Janeiro de 2010 20:12

* A mais maravilhosa lista de prémios e concursos literários volta a ser atualizada.

* E aí estão (finalmente, finalmente) os novos veículos da Metro do Porto. Ainda não é para já que se comprova a validade da opção tram-train para os percursos suburbanos (só em Fevereiro os tram-train substituirão totalmente os outros veículos na Linha da Póvoa, mantendo para já os mesmos horários), mas já dará para contar com maior conforto, mais espaço disponível (23.000 lugares extra por dia) e um veículo um pouco mais ecológico (recupera parte da energia nas travagens). Espera-se que em Fevereiro se cumpra a promessa das ligações Expresso Póvoa-Trindade em meia-hora.

metro-3786

Ligações aqui e aqui.

* Concordo com estes senhores quando dizem que a nova ponte da Alta Velocidade deverá ser construída entre as Devesas e a Boavista, paralela à Ponte da Arrábida (ao invés da prevista reformulação da Ponte de São João / nova ponte paralela a esta), servindo também para a segunda linha de metro para Gaia. O comboio, seja ele qual for, deve cruzar o centro das cidades, e não o que se vai planeando por aí.

Curioso é que os dois professores da FEUP discordam quanto à melhor localização de uma ponte para o TGV – Pinho é defensor de uma ponte paralela ao Freixo; Fonseca de uma travessia na zona da Restauração – mas concordam ao considerar que o TGV pela S. João vai prejudicar o trânsito ferroviário suburbano e o Alfa Pendular. “Os comboios de velocidade mais elevada sacrificam tudo o resto”, disse Adão da Fonseca.O presidente da Câmara de Gaia alinha com este catedrático da FEUP no princípio de que o TGV deve servir o centro das cidades, subscrevendo a ideia de uma ponte pela zona do Palácio de Cristal.

Vinte de dezembro de dois mil e nove

By Nuno Gomes Lopes, 20 de Dezembro de 2009 23:40

Onde há tráfego, esconde-se o metro. Onde temos natureza e espaço para andar, põe-se o metro à superfície. Não se percebe.

Vítor Silva, no JN.

Atualizações 30/11/09

By Nuno Gomes Lopes, 30 de Novembro de 2009 23:07

* A coisa parece compor-se em Gaia. Se uma rede de elétricos desligada de qualquer planeamento interconcelhio é coisa do passado, disparatada, uma rede de tróleis própria poderá muito bem ser das melhores coisas que uma Câmara pode fazer às suas custas, sem dar cavaco aos vizinhos. Isto porque, para começar, não se pode exatamente andar a trocar os carris de sítio quando se conclui que uma linha não está no melhor sítio, o que acontece com uma rede de elétricos. Se é verdade que o elétrico implica obras mais ligeiras, também é verdade que implica obras e estas não são baratas. Assim, e sem Autoridade Metropolitana de Transportes a funcionar e sem Junta Metropolitana a fazer o seu papel, os tróleis serão talvez a manilha escondida na manga da mobilidade em Gaia. Eletrificando-se os percursos mais utilizados pelos autocarros consegue-se eliminar a poluição atmosférica local e reduzir a dependência de combustíveis fósseis, e se se verificar que esse eixo tem a necessidade de metro ou de elétrico, mantém-se a catenária e faz-se obra. Porque Gaia é obra. A ver o que acontece.

* No Porto, elétricos! Aí sim, no núcleo urbano histórico, não merece especial contestação. O facto de a iniciativa ter partido da Porto Vivo é de louvar, mas deverá passar sempre pela Autoridade Metropolitana de Transportes.

(desenhos do que irá surgir)

Arlindo Cunha parece ter confundido todos os dados que estão sobre na mesa. Um elétrico ou anda no passeio (infelizmente) ou fora do passeio. Se no primeiro caso é necessário alargar passeios, no segundo ele convive com os carros, sem lhes roubar lugar. O que não se pode é querer fazer omoletes sem partir ovos, por isso será difícil manter as três faixas de rodagem na Mouzinho da Silveira e duas (!!!) faixas de estacionamento e introduzir o elétrico e aumentar, por pouco que seja, os passeios. Relembra-se rotineiramente que ninguém quer ir morar para o centro sem estacionamento, mas se os passeios se mantiverem estreitos e não houver transportes públicos, então continua mesmo tudo a morar nas periferias.

Esta história dos túneis é que não percebi:

[...]

A solução poderá passar pela criação de ligações viárias subterrâneas, à semelhança do que sucede em Bruxelas. “Mouzinho da Silveira é uma rua de ligação essencial entre a Ribeira e a Batalha. É uma das piores vias em afluência de trânsito nas horas de ponta”, continua. Serve de atravessamento para o tráfego de Gondomar e de Gaia que se dirige à Baixa. Ao final da tarde, o circuito inverte-se, mas mantêm-se as longas filas. A “cidade subterrânea” pode colmatar a dificuldade.

Aproveitando-se a construção do parque de estacionamento no subsolo do Largo de S. Domingos, surge, segundo Arlindo Cunha, a possibilidade de um dos pisos funcionar como túnel para a circulação de viaturas até ao Largo dos Lóios (com ligação ao futuro parque do quarteirão das Cardosas já em execução). Tudo dependerá de estudos geológicos.

[...]

Túneis no centro??? Anda tudo doido. Já chegam os furos do metro.

* Ainda alguém acredita que a obra será feita? Eu não. Como a Linha Aveiro-Salamanca, a Linha Porto-Vigo não é para fazer, mas antes para planear. Até à eternidade.

* A Linha de Gondomar (Estádio do Dragão-Venda Nova), essa, avança. Com mais ou menos encanamentos de rios e mais ou menos túneis, a rede cresce. Interessante é comprovar que

[...]

Nesta ligação, serão utilizadas todas as composições existentes, bem como os 30 tram-trains (mais rápidos e com mais lugares sentados) que a Metro do Porto adquiriu, mas que ainda não estão ao serviço. “Com a compra dos trem-trains a frota é mais do que suficiente para reforçar a rede existente e operar esta nova linha”, disse fonte da Metro.

[...]

(não é trem-train mas sim tram-train : )

* Por falar no elétrico-comboio, ainda não há data para a sua introdução na Linha da Póvoa. Grande parte dos veículos já chegaram, os testes começaram há muito, mas vê-los, nicles.

Atualizações 13/11/09

By Nuno Gomes Lopes, 14 de Novembro de 2009 1:52

* Fotos novas no flickr. Avulsas e sem relação entre si, como deve ser.

* O Algarve quer ligar-se à Andaluzia por comboio, o que faz todo o sentido. Não explicam é quem pagará a linha – nos 45 qms entre Vila Real de Santo António e Huelva esta não existe.

* A Metro do Porto prepara-se para, a partir de segunda, construir o nó rodoviário mais maluco da península e arredores. Em Vila Nova de Gaia, na atual rotunda de Santo Ovidio. Como numa sandes de vários andares, terá carros/metro/carros. Loucura total.

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Um nadinha de carros a mais, talvez?

* Continuando por Gaia, Luís Filipe Menezes sugere uma ‘rede de elétricos rápidos’ no concelho. Se Gaia fosse uma cidade isolada e não uma parte de uma cidade maior (Porto, ou Grande Porto) isto teria algum cabimento. Assim, é apenas mais uma boutade, infelizmente normal em LFM. O Grande Porto tem de abandonar este jogo de capelinhas. Talvez abandonando as birras e deixando a Autoridade Metropolitana de Transportes iniciar os seus trabalhos?

* Descobri aqui uma pequena resenha dos gastos em transportes públicos desde 2005. Leio e percebo que a CP, de tanto mirrar, ainda morre de subnutrição.

* O Acordo Ortográfico avança seguro. A 21 de Outubro foi lançado o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Porto Editora. Inclui 800 palavras galegas (não utilizadas em Portugal e no Brasil), e será complementado por vocabulários equivalentes a lançar brevemente pela Academia das Ciências de Lisboa e pela Academia Brasileira de Letras.

* Alguns avanços na discussão da erradicação da natureza por parte dos seres humanos na face ocidental da Península Ibérica do desenvolvimento equilibrado do país. Primeiro o Shapes of Portugal, que mostra de forma gráfica a distribuição da população pelo território do país e as suas divisões administrativas, das quais destaco as ‘Discrepâncias (Lisboa e Porto)‘. A seguir estes ‘Cartogramas de População‘, bichos feios que importa dissecar.

prt

Atualizações 21/9/09

By Nuno Gomes Lopes, 22 de Setembro de 2009 0:49

* O metro segue em obra:

Metro do Porto: Obras avançam na Linha de Gondomar

A linha, entre o Estádio do Dragão e Venda Nova, foi consignada em Dezembro de 2008, arrancou no terreno em finais de Janeiro e tem a sua conclusão prevista para o quarto trimestre de 2010.

A Linha de Gondomar do Metro do Porto já se encontra em obra em toda a sua extensão, incluindo o túnel de 900 metros entre Rio Tinto e a zona do Bairro S. João de Deus, no Porto, disse hoje à Lusa fonte da empresa. “As obras avançam em bom ritmo”, acrescentou a fonte.

(…)

No JN.

* Carlos lage, mais uma vez, muito bem:

Norte pede comboio até Salamanca

O Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN) pediu ontem ao Governo Regional de Castela e Leão a reabilitação da linha ferroviária entre Barca de Alva e Salamanca. No IV Plenário da Comunidade de Trabalho destas regiões, em Valhodolid, Carlos Lage deu conta de que do lado português a reabilitação do troço Pocinho-Barca de Alva “está em curso”, depois de assinado o protocolo que vincula o Estado e o sector ferroviário portugueses nesse compromisso.

(…)

No Público.

* Seis anos seguidos de crescimento. Imagino difícil encontrar investimento de igual retorno social no país:

Há seis anos que os transportes públicos ganham clientes no Porto

Primeira fase do metro e mudanças significativas nos serviços da CP e da STCP estão a consolidar uma alteração de hábitos nas deslocações diárias

Os três grandes operadores de transporte público do Grande Porto entram hoje na semana da mobilidade com várias iniciativas para tentar captar mais utilizadores (ver texto ao lado) e com bons motivos para sorrir. E isto porque, mesmo sem o estímulo das viagens gratuitas que vão oferecer por estes dias, é cada vez maior o número de utilizadores do transporte colectivo nesta região que, fruto dos investimentos da CP, da Metro do Porto e da STCP, vive o seu sexto ano consecutivo em ritmo de aumento de procura, se no final de 2009 se confirmar a tendência positiva do primeiro semestre.

A inversão de tendência verificada inicialmente por via da renovação e aumento de serviço da CP Porto – hoje com 300 comboios diários a ligar as principais cidades da região ao Porto – e do início da operação do Metro, consolidou-se entretanto com a conclusão da rede de metropolitano. E, nos últimos três anos, conta com o contributo das três empresas de capitais públicos, que mantiveram bons resultados no primeiro semestre deste ano.

A Metro do Porto teve um crescimento hómologo de 4,3 por cento do número de validações do Andante, o que representa um aumento de um milhão de passageiros, para quase 27 milhões, em relação aos primeiros seis meses de 2008. As boas notícias da CP Porto cifram-se num crescimento de 5,6 por cento, para 10,4 milhões de passageiros, enquanto da sede da STCP, a estabilização da procura nos 56 milhões de passageiros – número semelhante ao da primeira metade de 2008 – também deixou sorridente a administração da empresa, que viu falhadas as conservadoras previsões de 2006. Estas apontavam para quebras fortíssimas da procura decorrentes da “canibalização” por parte do metro e já no ano passado vira crescer em dois milhões o número de passageiros.

(…)

No Público.

Atualizações 31/7/09

By Nuno Gomes Lopes, 1 de Agosto de 2009 5:20

* Gosto quando concordam comigo:

Elisa Ferreira quer dar prioridade à linha circular do metro

(…)

Sem ter todos os dados ainda nas mãos, Elisa Ferreira é, tendencialmente, favorável à passagem enterrada do metro no Parque da Cidade, no âmbito da nova linha ocidental prevista para a cidade. Contudo, a candidata do PS defende que “este atravessamento deve ser pensado com cuidado”, sendo necessário conhecer todas as condicionantes antes de tomar uma decisão. “Não nos devemos precipitar. É preciso conhecer os custos e impacte ambiental, mas preocupa-me muito, porque daqui a pouco não temos parque nenhum”, defendeu Elisa Ferreira. Ainda assim, a eurodeputada diz que as características do solo do parque deverão permitir uma solução de cut and cover, o que tornaria o enterramento “mais leve e menos oneroso”. E frisou: “Não estou, à partida, a imaginar a linha do Campo Alegre a passar enterrada numa avenida que nem está construída [Nun'Álvares] e, a seguir, passar à superfície no Parque da Cidade. Parece-me uma situação bastante absurda, mas isto não é uma questão de gosto.”

(…)

(negrito meu)

via Público e Público

* Sempre me pareceram as CCDRs o elemento de planeamento territorial e cabecinha-no-sítio que faltava às outras gestões do território. Carlos Lage, então, é uma pessoa incrível. Mas bastava que as CCDRs fossem a votos para que entrasse populismo e saísse competência. Até lá, é aproveitar as boas ideias (que são muitas):

Legislação ainda é um entrave ao modelo de região concebido pela CCDR do Norte

Alteração da Lei dos Solos e do modelo de financiamento das autarquias é essencial para o cumprimento de algumas metas, como o da contenção da expansão do solo urbano

(…)

Tendo em conta esse objectivo, é defendida uma reformulação do Plano Rodoviário Nacional que aposte menos nas auto-estradas e mais na requalificação de estradas “regionais”. Afirma-se o carácter essencial do investimento na ferrovia convencional, a par da ligação por alta velocidade à Galiza, e definem-se orientações gerais para o uso e ocupação do solo, tendo em conta também as actividades económicas com maior potencial em cada zona.

Este aspecto parece ser, claramente, o nó górdio do plano, no qual se defende a contenção da expansão do solo urbano e, no espaço rural, o confinamento de áreas de edificação dispersa tão características da região.

(…)

(negrito meu)

Carlos Lage
“Falta-nos o poder de uma região”

As dificuldades que o enquadramento legal do país colocam à aplicação das orientações do Plano Regional de Ordenamento do Território levaram o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte a discorrer sobre um dos seus temas dilectos – e do PS, segundo o programa eleitoral do partido. Carlos Lage admite que, havendo um poder político regional instituído, seria muito mais fácil articular as autarquias e, mesmo naquilo que hoje depende do poder central, como os grandes investimentos rodo e ferroviários, ganhar autonomia de decisão. A este propósito, Lage avisou para os riscos de uma eventual adiamento da obra de ligação ferroviária em alta velocidade à Galiza. O líder da CCDRN lembrou que os galegos já têm as verbas para o projecto e que, se não construírem nos próximos anos a ligação de Vigo a Porriño por não existir linha do lado português, dificilmente o farão mais tarde, quando houver vontade do lado de cá.

No Público.

* Belíssima reportagem da Sic sobre a via estreita, um pouco ingénua ao falar de Espanha e castigadora no que se refere a Portugal, mas ainda assim a ver:

Via Avenida Central.

* Transcrição do debate parlamentar da petição apresentada pelo MCLT – como já tinha percebido, Luís Vaz é nome de poeta:

O Sr. Presidente: — Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Luís Vaz.
O Sr. Luís Vaz (PS): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: A Linha do Tua teve a sua construção no final do século XIX e foi-se mantendo como linha estreita ao longo do tempo, servindo as populações daquela região, do distrito de Bragança, numa paisagem magnífica, com um traçado ímpar de beleza.
Vozes do PS: — Muito bem!
O Sr. Luís Vaz (PS): — Entretanto, o mundo evoluiu, não paralisou. As estruturas rodoviárias foram avançando e a modernização da Linha passaria, eventualmente, pelo seu alargamento e pela destruição da sua beleza, que reside, precisamente, no tipo de Linha que ali existe.
A via-férrea deixou de ter utilização, deixou de ser útil para as pessoas que ali vivem e trabalham, que optaram pelo transporte rodoviário.
O Sr. Francisco Madeira Lopes (Os Verdes): — Falso!
O Sr. Luís Vaz (PS): — Assim, a Linha do Tua foi encerrada em devido tempo, e não interessa imputar culpas a um governo de esquerda ou de direita — neste caso, de direita.
Posteriormente, por acção da Câmara Municipal de Mirandela, foi transformado um pequeno troço em metro de superfície, mais tarde alargado até ao Tua, sem as necessárias adaptações ou as necessárias intervenções na própria linha férrea, o que acabou por provocar alguns acidentes mortais — sendo os mortos, sobretudo, funcionários da CP, que são os seus principais utentes.
Aquela linha férrea não tem interesse para o transporte das populações, mas poderá ter interesse turístico. Mas o que é certo é que, em termos de fluxos turísticos, até hoje não se conhece um único operador turístico que se tenha interessado pela sua exploração.
Vozes do PS: — Verdade!
O Sr. Luís Vaz (PS): — Por outro lado, Sr.as e Srs. Deputados, o Governo — e bem — optou por uma política energética para o desenvolvimento do País com carbono baixo, investiu na energia das ondas, com experimentação e estudo (que irá dar os seus frutos, certamente), investiu fortemente na energia eólica, tendo o País coberto de aerogeradores, e investiu também na energia hídrica, todas elas energias limpas. Ninguém hoje quer sobreviver ou pretende viver sem essas energias!
Vozes do PS: — Muito bem!
O Sr. Presidente: — Queira fazer o favor de concluir, Sr. Deputado.
O Sr. Luís Vaz (PS): — Concluo já, Sr. Presidente. O programa de barragens é importante não só pela produção de energia, mas também pela reserva hídrica que vai permitir e que trará efeitos benéficos não só no amainar das alterações climatéricas e no combate aos fogos flores como também nos investimentos locais adjacentes que irão surgir para potenciar o turismo e o desenvolvimento regional.
Aplausos do PS.+

Via linhadotua.net